18.8.15

A menina e o rapaz

O ano era 96, os cabelos cacheados e o olhar era sagaz
Tantos sonhos, tantos planos, era só uma menina
Sonhando com seu rapaz...
Sem demora ele veio, lindo, um príncipe em seu cavalo vindo
Ali, de mãos dadas, a menina e o rapaz

Eram vistos sempre juntos, vivendo, cantando, suspirando
Seguindo em frente, criando histórias e memórias
Todos os deuses conspirando...
Brincando, sorrindo e também chorando a morte de alguém
Ali, abraçados, a menina e o rapaz

Muitos anos, muitos planos, muita vida que rolou
Suspiros e amassos deram lugar à calmaria
Da amizade que virou
Vestida de branco lá foi ela, percebeu, menina já não mais era
Ali, ajoelhados, a menina e o rapaz

Dias cinzas vieram, a lúdica e esperada alegria foi fugaz
Ela sentia tudo estranho, tudo fora do lugar
Ele, ainda seu rapaz
Não entendia sua tristeza, a ambos faltava a clareza
Ali, desesperados, a menina e o rapaz

Veio a guerra, veio a dor, veio também algum rancor
Em busca de cura seguiram, distintos e distantes
Voaram longe com furor
Diz que se esbarraram outro dia, parece que numa esquina
Ali, dois estranhos, a menina e o rapaz

Ela nele pensa ainda, com gratidão e com carinho
E talvez alguma culpa, pela menina que não foi
Ele vive em seu cantinho
Protegendo sua cura de um passado dolorido e sem ternura
Ali, bem guardados, outra menina e o rapaz
__________
- Priscila Ferminio
Um ser inquieto e talvez um tanto inconformado (demais). Uma alma oito ou oitenta - sempre em luta com a segurança do oito diante da graça do oitenta... Implanta sistemas de gestão fiscal pra ganhar a vida. Canta e brinca de confeitaria pra vivê-la.   

3 comentários:

  1. a dor pode ser poética... lindo texto.

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    1. Há de haver coisas boas na dor, ainda que seja só a poesia :)

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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