6.7.15

#SomosTodosChatos

Já dizia José Newton, se subiu tem que descer.  Terceira lei do Newtão, ação e reação.
Claro que ele falava no campo da física, mas por que não extrapolar?

Na vida é assim, todo ato tem consequência. Ação e reação.

Mas enquanto na física, Newton comprovou que a reação terá a mesma força e intensidade e será no sentido contrário à ação, ou seja, é possível conhecê-la e até prevê-la, na vida a coisa é um tanto mais abstrata. 

A vida está mais para teoria do caos. Reações sensíveis à sua condição inicial (ponto de origem) porém não previsíveis.

E a Internet esta aí para demonstrar isso, e mais, para potencializar isso.
As reações aqui nas redes, são em várias direções e com forças diversas, fica até confuso e chato. Muito chato.

Confuso porque qualquer assunto gera reações, provocam necessidades nas pessoas de expressar com veemência suas opiniões. Seja ela qual for, seja para qual assunto for. Você é intimado a opinar e melhor que o faça com veemência. E por isso, chato.

Chato também porque qualquer comentário, de uma pessoa qualquer, ganha igual destaque ao de um jornalista, um filósofo, ou algum especialista no assunto. Chato também porque os meios de comunicação, até mesmo os sérios, as pessoas, até mesmo as sérias, dão importância demais a esses comentários errantes.

E parece que qualquer que seja a reação, ela necessariamente tenha que atender a toda a abrangência possível do caso.

Um exemplo, o caso #SomosTodosMaju.

A moça é jornalista, apresenta a previsão do tempo no JN, o jornal mais assistido na TV brasileira. O JN tem uma página no Facebook. O Facebook é um local onde tudo isso que escrevi acima, acontece o tempo todo, todo o tempo.
A moça, Maju, é negra.
E daí? Me pergunto. E daí, respondo, que esse mundo é bizarro. E chato.

Uma meia dúzia de dezenas, talvez centenas, de pessoas demonstram seu racismo com comentários absurdos à Maju.

Em reação, milhares de pessoas de compadecem da moça e da situação que vai além da Maju, e iniciam uma coisa que está na moda, embora ainda não saibamos se tem o alcance e resultado que esperamos.

A reação da HashTag. 

E a HashTag da vez foi #SomosTodosMaju.

Bonito. Eu acho. 

Não tarda, porém, a aparecer os comentaristas dos comentários. Os chatos. 

Aquele sujeito que se indigna pela indignação. Não por achá-la errada, ou que defenda a causa errada, mas porque esta, não atinge todas as abrangências possíveis.

Vi um post, que foi bastante compartilhado, onde o rapaz, cheio de sabedoria, cria a própria HashTag. #NãoSomosTodosMaju, dizia ele que defender a Maju, moça bonita, bem sucedida, da TV, é mole. Quantos negros não passam por algo pior ao que se passou com Maju?

Verdade, muitas pessoas, pobres, negras, passam por situações grotescas todos os dias. É triste e revoltante.
Ninguém disse o contrário.

Mas o fato da Maju é para se reagir. Ou não?

Ou criaram regras, tipo ABNT, para reações de HashTags? 

1. Fica instituída a regra de que só se pode xingar muito no twiter se:

a. tal xingamento não ofenda a opinião de outrem;

b. tal xingamento explore o assunto em toda sua abrangência;
c. bla bla bla escreva aqui sua regra.

Eu sei, eu sei, o forte de Newton era a física, não a antropologia.

#SomosTodosChatos
__________
Ev Melo
Mais um chato.

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