10.6.15

A dissonância cognitiva e eu



Sabe aquele medinho que temos quando vamos comprar alguma coisa de grande valor? Aquela insegurança de se estamos mesmo fazendo a melhor escolha? Pois é, isso tem nome. Dissonância Cognitiva. As empresas tem até modo de ajudá-lo a não sofrer tanto, as informações no site, blogs, especialistas, etc. por exemplo, ajudam a você a dissecar o produto antes de comprá-lo. 

Pois bem, isso eu vim a estudar recentemente no curso de Marketing. Mas sofri na pele quando criança. Um grande trauma, sério. 

Era época de natal, eu deveria ter 7 ou 8 anos. Meus pais me levaram ao Jumbo Eletro (ou era o Mappin? Não sei) para que eu escolhesse meu grande presente de natal. 

Aqui vale relembrar que nos anos 80 não tínhamos essa ostentação que as crianças de hoje tem. Hoje ganham brinquedo até quando não querem. Já escovou os dentes? Então toma aqui um brinquedo novo. Tirou média 5 na escola? Ah se fosse 10 ganharia um presentão, mas toma aqui um presentinho. 

É assim agora, mas não era antes. Na minha infância haviam 3 grandes momentos no ano para presentes. Dia das Crianças, Aniversário e Natal. Nesta ordem de importância e consequentemente do tamanho do presente. (Quem fazia aniversário próximo ao Natal, se lascava).

Era justamente o Natal e lá fui eu. Fui apresentado à seção dos brinquedos. Me fixei em 2. Mas qual? E agora, qual? Qual? 

Um deles era o circo do Playmobil. Coisa fina, cheio de bonequinhos, bichos e cenários. O outro um avião caça dos Comandos em Ação. Ambos vinham em caixas grandes, incríveis. Mas qual? 

Olha aí a dissonância cognitiva me assolando. Como escolher entre os dois? Na boa, eu tinha uns 8 anos, não deveria ter esse tipo de pressão sobre meus ombros. Então eu fui e escolhi (não sei porque) o caça dos comandos em ação. 

Não era de todo mal. Só que não era brinquedo para criança. Não veio nenhum boneco, nas primeiras investidas o trem de pouso se quebrou, era grande demais para caber na caixa de brinquedos. Até hoje sonho com Playmobil. Já pensei em deixar meu ID passar por cima do meu Ego e me permitir comprar um novo. 

Mas sei lá, Playmobil agora é brinquedo gourmet, custa caro. Uma coisa é sabida, não permitirei crianças desprevenidas fazerem escolhas que possam assolar o resto de suas vidas. 

Dissonância cognitiva os cambau, se tiver filho, eu vou escolher o brinquedo de Natal dele. Que por alguma coincidência será o circo do Playmobil. 

P.S.: Essa semana faleceu o criador do Playmobil. :-(
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Ev Melo
Uma criança sem o circo do Playmobil.

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