29.6.15

um caso de estudo

Talvez um dia, nossa geração seja estudo de renomados antropólogos que por perspicácia que só o tempo é capaz de fornecer, tenham entendido, decifrado e possam nos explicar em livros e artigos tudo isso que hoje nos é contemporâneo, mas que ainda parece ser modernista.
 
Somos, definitivamente, a geração dos 'reality show' e das redes sociais. Mas estamos longe de saber lidar com isso tudo.
Os realities nem tanto, esses parecem desvendados, são programas falsos sobre algo supostamente real. Nos carece, apenas, entender o motivo de sua existência aos montes. Show de realidade na cozinha, em restaurantes e confeitarias, em casas isoladas, em atividades esportivas, noivas, disquitadas, construção e desconstrução de casas, colecionadores, vendedores de antiguidades, casa de penhor, tudo virou motivo para um reality show.

Já as redes sociais sim, são um grande mistério. São úteis? Para que servem? E o ponto que considero mais intrigante e principal foco dos estudiosos,  porque não sabemos nos comportar em tais redes?

Primeiro há uma necessidade, quase obrigação, de todos terem uma opinião e mais, todos precisam expor suas opiniões, em qualquer assunto. Qualquer assunto.
Muitas dessas opiniões surgem muito antes do sujeito ter sequer lido ou estudado o tema. Viramos leitores e críticos de manchetes de notícias. Sequer nos damos ao trabalho de bater o dedo no título e acessar a matéria completa. A impressão é que ao ler a manchete, nos bate aquela ansiedade de correr aos comentários e colocar ali tudo o que pensamos daquele assunto que sequer lemos.

Depois vem a agressividade? Em que momento da história nos tornamos tão agressivos? Pois não basta darmos nossa opinião, temos que fazê-la de forma convincente e muitas vezes isso se dá através da hostilidade. E ai daquele que ousar pensar diferente. Perdemos (já tivemos?) a capacidade de dialogar, de abrir uma conversa com 'eu respeito sua opinião' e seguir com ' mas penso diferente, e meus pontos são esses xxxxxxx' , e finalizar com um convite 'o que acha disso?'.

Os antropólogos abrirão um capítulo a parte para discorrer sobre os comentários, certamente.

Será que trata-se ainda de algo novo para nossa sociedade? Precisamos de tempo maior para aprendermos o equilíbrio? Afinal, esse booom de redes sociais não tem mais do que 10 anos.
Ou será que a tendência é piorar? Que, ou nos isolaremos cada dia mais do convívio social (aquele de verdade, do toque, do abraço, da conversa olho a olho), ou levaremos para o convívio essa agressividade das redes sociais?
Ambos os caminhos são perigosos. Ambos os caminhos estão se mostrando reais.

A intolerância tem se mostrado em forma de violência física e afrontas públicas. Basta acompanhar as notícias.

O isolamento está avançando ao convívio, basta olhar nas mesas dos happy hour, muitas vezes em silêncio, cada um com seu celular na mão.

Ainda bem que não sou antropólogo, embora admire o trabalho de observação desses, assim não me obrigarei a buscar entender esse nosso comportamento.

E se você não concorda com este pobre texto, então vá a m•. (brincadeirinha)
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Ev Melo
Um caso a ser estudado.

10.6.15

A dissonância cognitiva e eu



Sabe aquele medinho que temos quando vamos comprar alguma coisa de grande valor? Aquela insegurança de se estamos mesmo fazendo a melhor escolha? Pois é, isso tem nome. Dissonância Cognitiva. As empresas tem até modo de ajudá-lo a não sofrer tanto, as informações no site, blogs, especialistas, etc. por exemplo, ajudam a você a dissecar o produto antes de comprá-lo. 

Pois bem, isso eu vim a estudar recentemente no curso de Marketing. Mas sofri na pele quando criança. Um grande trauma, sério. 

Era época de natal, eu deveria ter 7 ou 8 anos. Meus pais me levaram ao Jumbo Eletro (ou era o Mappin? Não sei) para que eu escolhesse meu grande presente de natal. 

Aqui vale relembrar que nos anos 80 não tínhamos essa ostentação que as crianças de hoje tem. Hoje ganham brinquedo até quando não querem. Já escovou os dentes? Então toma aqui um brinquedo novo. Tirou média 5 na escola? Ah se fosse 10 ganharia um presentão, mas toma aqui um presentinho. 

É assim agora, mas não era antes. Na minha infância haviam 3 grandes momentos no ano para presentes. Dia das Crianças, Aniversário e Natal. Nesta ordem de importância e consequentemente do tamanho do presente. (Quem fazia aniversário próximo ao Natal, se lascava).

Era justamente o Natal e lá fui eu. Fui apresentado à seção dos brinquedos. Me fixei em 2. Mas qual? E agora, qual? Qual? 

Um deles era o circo do Playmobil. Coisa fina, cheio de bonequinhos, bichos e cenários. O outro um avião caça dos Comandos em Ação. Ambos vinham em caixas grandes, incríveis. Mas qual? 

Olha aí a dissonância cognitiva me assolando. Como escolher entre os dois? Na boa, eu tinha uns 8 anos, não deveria ter esse tipo de pressão sobre meus ombros. Então eu fui e escolhi (não sei porque) o caça dos comandos em ação. 

Não era de todo mal. Só que não era brinquedo para criança. Não veio nenhum boneco, nas primeiras investidas o trem de pouso se quebrou, era grande demais para caber na caixa de brinquedos. Até hoje sonho com Playmobil. Já pensei em deixar meu ID passar por cima do meu Ego e me permitir comprar um novo. 

Mas sei lá, Playmobil agora é brinquedo gourmet, custa caro. Uma coisa é sabida, não permitirei crianças desprevenidas fazerem escolhas que possam assolar o resto de suas vidas. 

Dissonância cognitiva os cambau, se tiver filho, eu vou escolher o brinquedo de Natal dele. Que por alguma coincidência será o circo do Playmobil. 

P.S.: Essa semana faleceu o criador do Playmobil. :-(
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Ev Melo
Uma criança sem o circo do Playmobil.