4.4.15

triste páscoa

Há cerca de 2015 anos atrás, nascia Jesus, o messias, o redentor do mundo. Há 1982 anos, morria crucificado Jesus, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Cumprindo assim a profecia e sua missão, alguém puro e único como nunca houve nem haverá, se entregou à morte, e morte de cruz, para salvar o mundo.

Mais importante que o Natal, nascimento de Cristo, é a Páscoa, para os que assim crêem em Jesus (claro). 
É na Páscoa que devemos simbolizar o real sentido do Natal. Não é no nascimento, mas sim na morte, que devemos celebrar nossa redenção. Obvio, ninguém morre se não nasceu antes, mas você entendeu.

E é justamente a Páscoa a data festiva mais usurpada e desconfigurada que temos no calendário cristão. 
Triste.

Destruímos o Natal também, verdade, com a figura do papai noel e tudo mais, mas ainda há presépios, ainda se fala do menino jesus, reis magos, etc. Ainda fingimos que trocamos presentes pois a tradição se iniciara com os presentes ganhos pelo menino Jesus.

E a Páscoa? Salvo a tradição católica (muito bonita por sinal) que ainda mantém atos simbólicos da morte até a ressurreição, de resto é uma confusão em filas de supermercado para comprar ovos de chocolate trazidos pelo coelhinho da páscoa!
Ovo, de chocolate, coelhinho, páscoa!! Ok, você entendeu.
Triste.

Poderia para este texto por aqui, mas vou além. Tem algo ainda mais perturbador e triste na Páscoa. 
É perceber que os cristãos, sobretudo os ditos evangélicos que dominam a mídia e boa parte da massa, se assemelhem muito mais com os fariseus, os escribas, os religiosos, aqueles que mataram o Cristo, do que com o próprio cordeiro morto pelos pecados do mundo.

É de doer na alma assistir a bancada evangélica ganhando espaço no congresso e sendo liderada por gente como Eduardo Cunha, Feliciano, e afins. Ver aplaudirem as presepadas de Bolsonaro e cia.
É ter em gente como Malafaia (argh), a figura de um representante do cristianismo.
Triste.

Esses, se lá estivessem no ano 33, estariam cuspindo, chicoteando, condenando e assistindo com orgasmos múltiplos a crucificação do messias.
Esses que insistem em usar as escrituras como armas para constranger e condenar.
Esses que ignoram quem foi Jesus, que se intitula Deus, que se intitula Amor. Jesus foi o próprio amor encarnado.

Triste ver que esses estariam levando menores infratores à presença de Jesus e ouvindo dele "atire a primeira pedra".
Triste esses buscarem tão somente nas letras verbalizadas o que chamam de verdade, a pautar suas condutas. Ignoram as entrelinhas, ignoram os atos, o jeito e as mensagens que Jesus não disse. 

Jesus escolhe se reunir na casa de plebeu. Jesus escolhe pedir água a uma mulher divorciada e ainda por cima Samaritana. Jesus se deixa tocar e se derrete a uma prostituta e vê nela beleza. Jesus condena religiosos e absolve a adúltera. Jesus transgride leis, como a de nada fazer no sábado. Jesus olha para o ladrão a seu lado na cruz e diz 'ainda hoje estará comigo no paraíso'. Jesus chama as crianças, as abençoa e alerta que quem não for como uma delas, não entrará no reino dos céus...
Jesus ora pedindo perdão ao Pai por seus algozes. 'Eles não sabem o que fazem'.

Triste constatar que pior que subverter um feriado santo para satisfazer a lógica capitalista, é notar nos próprios religiosos as principais características condenadas pelo Cristo.

Perdoe-nos Pai, não sabemos o que estamos fazendo.

(sim eu sei que o calendário não bate com a data real do nascimento de Jesus, mas você entendeu...) 
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Ev Melo

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