5.4.15

Maus: A história de um sobrevivente

Escrevo esta resenha (ou quase isso) com 20 anos de atraso. A primeira parte de MAUS foi lançada no Brasil em 1986 e a segunda em 1995, mas eu, que sempre gostei, li e colecionei quadrinhos, em especial as grafic novels, só fui comprar e ler MAUS agora, em 2015.

Acho que fiz bem. Não que tenha sido intencional o atraso na leitura, mas creio que agora, aos 33, tenha apreciado mais a densa história do que se tivesse lido aos 14.

No livro, Art Spiegelman conta, em quadrinhos, a história real de seu pai durante a 2a Guerra Mundial. E contando a história de seu pai, conta a de milhares de judeus que sofreram, morreram, sobreviveram no holocausto.

O livro é excelente pela história e pela forma como Artie escolhe contar. Através de entrevistas com seu pai, vai montando a história ao mesmo tempo que a vai compreendendo. Hora mostrando o pai na época da guerra, hora ilustrando a si mesmo durante as entrevistas. Isso torna tudo ainda mais denso, mais verdadeiro e mais empolgante.

Sem apelações exageradas, todo o horror da guerra é colocada em arte, com os judeus ilustrados como ratos, alemães como gatos, poloneses como porcos e americanos como cachorros.

Corajoso é um adjetivo que expressa bem esse trabalho. Artie conta a história sem medo de mostrar sua relação difícil com o pai, a falta que sente da mãe que se suicidou quando ele ainda era pequeno, e de suas tristezas. Não se deixa tentar em fazer um trabalho pendurado em clichês ou de sentir demaseada pena de seu povo. Mostra todo o horror que envolveu a história sem poupar os próprios judeus. Como no episódio em que o pai, um senhor de idade, vivendo desde há muito tempo nos EUA, fica indignado quando Artie e sua noiva dão carona a um negro.

Vale a leitura, vale ter um livro como este na estante. Vale muito.
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Ev Melo



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