13.4.15

a tal da terceirização

A pauta agora é terceirização. Certo?
Todos falando nisso. É assim, surge o assunto do momento e todo nos sentimos na obrigação de opinar. 
Mas neste tema, eu tinha pouco conhecimento; Como opinar? A princípio eu era a favor. Afinal, o que há de errado em terceirizar a mão de obra num país onde os direitos trabalhistas são tão complexos e caros? Certo?

Eu mesmo trabalho com vendas de terceirização de datacenter, o tal outsourcing, hosting. Explicando melhor, a empresa ABC faz parafusos. Para comercializar seus parafusos precisa além de maquinário, ferramentas e matéria prima, de sistemas de gestão que por sua vez demandam servidores que por sua vez demanda um datacenter... Tudo isso para gerir seus negôcios, emitir notas fiscais, otimizar processos etc. Tudo isso demanda tecnologia, que não é o foco da ABC. Então é aí que entram meus serviços, a ABC nos contrata para sermos o braço da tecnologia (TI) deles. Ou seja, terceirizam algo que não é foco, é complexo, porém é essencial, e assim podem cuidar de fazer mais e melhor seus parafusos.

Seguindo este raciocínio, é justo que as empresas queiram terceirizar sua mão de obra para uma empresa de RH, por exemplo. Voltando para a ABC parafusos. Seu produto é parafuso e para produzir parafuso se faz necessário pessoas, e essas pessoas demandam um grande foco burocrático para que tudo fique dentro da lei. Impostos, leis trabalhistas, recrutamento, demissões... Complexo.
A ABC parafuso então chama a empresa especializada em RH, a XYZ, que fica responsável por toda essa gestão da mão de obra. A ABC fica portanto com o core business, os parafusos.

Parece tudo correto, certo? Não num mercado pouco confiável, que se faz valer do imediatismo e da falta de ética para angariar lucros exorbitantes. Não num país pouco sério como o Brasil.

Imaginemos que a ABC parafusos, tenha um quadro de 1000 funcionários. São mil famílias dependendo deste emprego e asseguradas pelas leis vigentes. A ABC tem de estar dentro da lei (ok, não quero tratar das excessões aqui), ao demitir um funcionário, por exemplo, ou ao garantir recolhimento de impostos que venham a beneficiar o empregado posteriormente, etc.

A empresa de RH XYZ também precisará garantir o mesmo. Até aqui tudo bem. O problema é a falta de regras para a contratação de empresas como a XYZ. Quanto tempo de mercado ela possui? Qual seu caixa, é suficiente para garantir o cumprimento e pagamento dos direitos de todos os trabalhadores em caso de demissão em massa? É uma empresa idônea? 

O que já ocorre na prática são empresas de fachada, recém criadas para atender exclusivamente a uma empresa e que não tem a seriedade para cuidar de seus funcionários. O que acontece são empresas como a XYZ fecharem as portas, os sócios fogem com tudo e os funcionários ficam sem ter a quem recorrer.

O que hoje já ocorre para as funções 'meio'. Hoje porém, pela falta da lei da terceirização, a empresa contratante pode responder por vínculo empregatício entre outros. Com a tal lei, não mais.

É dar um salto grande demais em um mercado mesquinho e um país pouco sério.
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Ev Melo
Alguém que provavelmente está redondamente equivocado. Ou não.

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