28.3.15

Uma tragédia

A vida é uma viagem. Cada um de nós recebe um bilhete, bilhete em forma de pulsação, de fôlego, de vida... Embarcamos no trem e vamos.
Todos esperamos ter uma longa viagem. Em toda imprevisibilidade que a viagem da vida oferece, uma coisa ao menos tentamos prever e acreditamos que acontecerá, a viagem será longa.

Qualquer motivo que tire alguém cedo demais desta viagem, chamamos de tragédia.
“Você viu, pobre menino, morreu tão jovem”, “só tinha 40 anos e morreu de câncer, que tragédia”, “que tragédia, bateu o carro, tão jovem, os pais estão arrasados”...

E quando a tragédia chega no atacado? Quando ao invés de chorar por um, choramos por 242 jovens que perderam a chance de continuar a viagem da vida. O que fazer?

Esta semana em viagem pelo interior do Rio Grande, passei pela cidade de Santa Maria. Viagem de negócio, não pretendia visitar muita coisa além dos endereços de clientes, mas calhou de um dos clientes ser em frente á boate Kiss.
Triste. Uma casa fechada, algumas pixações, grafites, faixas de protesto e lamento, flores, velas, tristeza, bastante tristeza.

O que dizer de uma tragédia como esta? Centenas de jovens entram em uma festa para se divertir e saem carregados.

A rua, movimentada pelo trânsito, carros que sobem, param no semáforo e seguem em frente. A rua assiste ao ritmo da vida, cuja viagem não para. Tem que continuar.

Ali em frente ao triste local que parece uma mancha em preto e branco, o semáforo parece se esforçar em pausar por momentos aqueles que passam, para que nunca esqueçam que ali, naquele lugar, em um triste dia, recolheram 242 bilhetes de viagem de jovens que tinham um longo caminho pela frente. Uma tragédia.

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Ev Melo
Em plena viagem.





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