8.3.15

nossa crise

vivemos uma crise que vai além de nossas fronteiras, além deste ano presente.
é uma crise que se inicia silenciosa lá atrás, há pouco mais de um par de décadas, quando a crise era outra e do mesmo modo, triste.

não temos a quem recorrer, não nesta terra, não em gente tão parecida como nós.

há pouco menos de 30 anos saímos de uma ditadura declarada. momentos de sombra, de nenhuma democracia. ela não existia.
o poder era de alguns, e esses não faziam questão de dividí-lo.

findou-se a ditadura, ainda havia a luta pelas diretas. que chegou depois de alguns anos. podíamos enfim escolher o presidente. mas quem? havia quem?
sarney herdara um país quebrado e pouco fez para entregá-lo em melhores condições.
vieram as eleições de 1990, a primeira com voto direto para presidente. de um lado um arrumadinho que falava bem e tinha a simpatia da tv globo, do outro um sujeito que bradava em português sofrível, mas dizia representar o povo.
deu o arrumadinho. que se mostrou ineficaz de gerir a economia em frangalhos como estava, que escolheu uma ministra da fazenda que mal sabia gerir as economias da própria casa. recolheu a poupança, fez milhares de pessoas perderem tudo e se meteu em corrupção. vamos concordar que o escândalo do collor, é conta de arredondamento no atual petrolão e do já perdoado mensalão.
em menos de dois anos da primeira eleição direta para presidente, tivemos o impeachment. entende isso? nosso primeiro presidente eleito pelo povo foi justamente retirado de seu cargo por corrupção!

surge então o que parecia ser um oásis neste deserto político. itamar franco, um presidente de transição, pouco faz para chamar a atenção e volta-se para ajustar a casa. vem fhc como ministro da fazendo e arruma a casa. enfim tínhamos um plano econômico que viera para ficar. em minha pouca idade à época, eu vira pelo menos três moedas diferentes, cruzeiro, cruzado, cruzado novo (se não me engano).

quase oito anos de governo fhc, com seus defeitos, falhas e também escândalos de corrupção. 
chegara a hora do barbudo que em 1990 gritava demais e assustava boa parte do país e que agora, devidamente munido da melhor equipe de marketing política (a mesma de maluff), voltara leve, falando bem (sem plural, mas tudo bem), o lulinha versão paz e amor.

lula venceu, o país renovava suas esperanças. e foram oito anos  de estabilidade econômica e política. tínhamos a impressão de         termos um país nos eixos. 
mas é aí que toma conta a nossa crise, a qual iniciei este texto.

em qualquer país do mundo existe corrupção, qualquer meio político está fadado a agir por meio de lobby, dinheiro, poder. 
mas o que se apresentou com o atual (mais de 12 anos) governo, é a institucionalização da corrupção. elevaram a corrupção a nível de pensamento, de cultura, de filosofia política.
e como se esquivam de tais denuncias e provas? dizem que agora isso tudo está sendo investigado e que antes não o faziam.
será? voltemos a 1992, o primeiro presidente eleito com votos diretos sofreu impeachment por ter sido pego, investigado e condenado pelos deputados, com direito a cara pintada.

a crise que vivemos é a da falta de credibilidade em líderes, quaisquer que sejam eles. da direita à esquerda. aliás existem esses lados?
enquanto em outros países, com a democracia mais madura, a corrupção é pontual e até certo ponto controlada, aqui a impressão é que a corrupção é o mote da vida política e que cada um precisa conseguir tudo o que puder agora, em curto tempo, pois amanhã essa mamata pode acabar. não podem portanto correr o risco de não ter chego no fundo da panela e perder a boquinha com comida sobrando. a gula é a regra e a regra vem de cima. ou vamos acreditar que lula e dilma desconheciam e desconhecem essa máquina de grana suja que aí está, sendo denunciada?

mas em quem confiar?
em aécio, que perdeu em seu estado, onde aliás há inúmeros indícios de corrupção?
em marina, que era vice de eduardo campos, também denunciado neste escândalo do petrolão?

em quem?

essa é nossa crise, não temos a quem confiar e seguir. os movimentos de 2013, onde milhares de brasileiros saíram às ruas por um basta, foram criticados (principalmente pelos simpatizantes ao governo) por não haver uma causa clara e um líder. causa havia, e muitas, mas a parte do líder eu concordo. não temos.
temos medo de confiar em alguém, como confiou o país em lula.
como em 1992 confiamos todos em lindberg farias, o líder estudantil, o líder dos caras pintadas e agora integrante da lista de denunciados no petrolão, ao lado de collor. veja que ironia. 

confiar em quem?
aqui nesta terrinha, é possível confiar em alguém?

para além desta terra, confio em deus e oro para que ele nos ajude, para que este país não fique à mercê deste tipo que aí está e que não se transforme no que se transformou argentina, venezuela...

oremos.
__________
Ev Melo


Um comentário:

  1. Você está pegando o jeito Ev...de usar as palavras para dar pauladas. Daquelas bem doidas. Um beijo na Boo e Poco

    ResponderExcluir