26.2.15

sniper americano - minha análise do filme

não sou de escrever crítica nem resenha de filmes. até porque não sou crítico de cinema. apesar de gostar de ler algumas críticas, geralmente do site omelete, após assistir ao filme. não antes, mas depois, quase que para verificar se o crítico teve as mesmas impressões que eu, ou se me ajuda a ir além. mas vez ou outra leio a crítica antes de ver o filme. isso nem sempre acaba bem.
fato é que só assisti ao filme 'sniper americano' ontem, alguns dias após a cerimônia do oscar e muitos dias após a estréia do filme nos cinemas. e acabei leio algumas coisas sobre o filme que me deixaram pouco interessado ou com a expectativa mais baixa. até porque não é de todos os filmes do clint eastwood que eu simpatizo.
as críticas tinham um consenso, o qual depois de ver o filme, eu reluto em ir contra. disseram, incluindo rubens edwald filho, que o filme é bom, mas que deixa temas sensíveis de lado. pois bem, por não concordar com isso, e por ter saído do cinema absorvido pela atmosfera do filme, acometerei a besteira de escrever este texto, o qual não acha que você deva perder tempo lendo, há coisas melhor a fazer. bom a escolha é sua.

não é um filme de guerra, não é um filme de ação. trata-se de um drama psicológico com provocações morais, onde há guerra e há ação.
logo no primeiro instante, clint eastwood já nos passa qual será o tom do filme. o atirador de elite está posicionado no alto do telhado, com a mira apontada para uma possível inimiga. ele tenta conformar a periculosidade pedindo ajuda pelo rádio, a resposta não lhe ajuda e ainda complementam: - a decisão é sua.
a câmera vai de close no atirador e ouvimos sua respiração cadenciada e tensa. esse era o tom do filme, o da respiração cadenciada e tensa.

o que se segue à partir daí é o desenrolar de uma história repleta de paradoxos. o que há de bom na guerra? há algo de bom? porque ela começou, será que vai terminar? como? quem é herói e quem é vilão?
o diretor coloca pontos complexos, hora parece que está defendendo o orgulho americano, hora que está zombando ou questionando. como nos filmes de josé padilha, as posições são todas dispostas ao público, sem transparecer a opinião do diretor. possivelmente há quem tenha saído com a impressão que trata-se de um filme pró-guerra, há quem tenha saído do cinema irritado por julgar mal o modelo americano.

modelo este que fica explícito no diálogo de kyle com sua futura esposa no bar, quando ela diz que ele não passa de um egocêntrico.
ele responde 'eu não sou egocêntrico, eu morreria pelo meu país'. ela então questiona porque e ele responde 'porque este é o maior país de todos'. 
o americano não é um egocêntrico individualista, é um egocêntrico coletivista, ou como dizem, patriotas. 

também fica claro o horror do pós guerra. gente perturbada mentalmente. pessoas deformadas, sem pernas, braços, muita gente morta. afinal, isso tudo vale a pena? pra quem?
muitos 'inimigos' são mortos, até mesmo muitos civis são mortos. gente morte em seu próprio país por soldados que vem do outro lado do mundo. quando um soldado é morto ou atingido, há revolta entre eles, há um clamor por vingança. como mencionei anteriormente, hora parece que o diretor concorda com isso, hora que ele questiona essa postura.

como em uma cena, singela, onde kyle está na oficina mecânica (já nos estados unidos, após sua terceira participação na guerra) aguardando seu carro, e seu filho, com não mais que 4 anos, brinca nessas máquinas onde se coloca uma moeda e recebe um brinquedo surpresa. o menino pergunta como funciona e quer escolher o brinquedo. kyle lhe explica 'você ganha o que vier, não o que escolher'. afinal, não é assim a vida? você ganha o que vier, não o que escolher. quem escolhe nascer do lado 'inimigo'?

ao final do filme, fica a sensação de dúvida, de reflexão. as pessoas deixam o cinema em um tenso silêncio, com a mesma respiração ditada no início.

um belo filme. assista!
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ev melo
às vezes paro para pensar, às vezes penso sem parar e muitas vezes paro sem pensar.