24.12.15

O natal é todo dia

debaixo daquela ponte
nasce o salvador do mundo
o grande rei chegou
envolto a panos imundos

nas infiltrações das paredes
insetos vinham lhe espiar
a barata, a pulga e o percevejo
vieram ao Rei visitar

os gatos e os cães sarnentos
trouxeram seus talentos
os gatos vieram cantando
e os cães o rabo abanando

os reis da rua apareceram
mais do que três. Surpreenderam!
são mendigos e maltrapilhos
coração limpo trazem consigo

naquele lugar sem luxo
que muitos chamam de lixo
repousa o menino Jesus
que o escuro fez em luz

e todos ali contemplavam
o rei que agora dormia
e juntos concordavam
que o Natal é todo dia!
__________
ev melo

18.8.15

A menina e o rapaz

O ano era 96, os cabelos cacheados e o olhar era sagaz
Tantos sonhos, tantos planos, era só uma menina
Sonhando com seu rapaz...
Sem demora ele veio, lindo, um príncipe em seu cavalo vindo
Ali, de mãos dadas, a menina e o rapaz

Eram vistos sempre juntos, vivendo, cantando, suspirando
Seguindo em frente, criando histórias e memórias
Todos os deuses conspirando...
Brincando, sorrindo e também chorando a morte de alguém
Ali, abraçados, a menina e o rapaz

Muitos anos, muitos planos, muita vida que rolou
Suspiros e amassos deram lugar à calmaria
Da amizade que virou
Vestida de branco lá foi ela, percebeu, menina já não mais era
Ali, ajoelhados, a menina e o rapaz

Dias cinzas vieram, a lúdica e esperada alegria foi fugaz
Ela sentia tudo estranho, tudo fora do lugar
Ele, ainda seu rapaz
Não entendia sua tristeza, a ambos faltava a clareza
Ali, desesperados, a menina e o rapaz

Veio a guerra, veio a dor, veio também algum rancor
Em busca de cura seguiram, distintos e distantes
Voaram longe com furor
Diz que se esbarraram outro dia, parece que numa esquina
Ali, dois estranhos, a menina e o rapaz

Ela nele pensa ainda, com gratidão e com carinho
E talvez alguma culpa, pela menina que não foi
Ele vive em seu cantinho
Protegendo sua cura de um passado dolorido e sem ternura
Ali, bem guardados, outra menina e o rapaz
__________
- Priscila Ferminio
Um ser inquieto e talvez um tanto inconformado (demais). Uma alma oito ou oitenta - sempre em luta com a segurança do oito diante da graça do oitenta... Implanta sistemas de gestão fiscal pra ganhar a vida. Canta e brinca de confeitaria pra vivê-la.   

24.7.15

Kol Brasilis - Brigas nunca mais

Está no ar o novo vídeo do Kol Brasilis: Brigas Nunca Mais (Tom Jobin/Vinicius de Moraes)


Caso goste de mais esse trabalho, ajude a divulga-lo compartilhando-o. 
Também convidamos a assinar nosso canal no Youtube.

SOBRE O ARRANJO:
Brigas Nunca Mais foi um arranjo que eu escrevi para explorar mais essa pegada brazuca com harmonias jazzísticas. Escrevi sua primeira parte em 2004 (antes do improviso), mas o pessoal do Kol teve dificuldade para cantá-lo, dadas suas dissonâncias. Dez anos depois, com o grupo mais amadurecido, terminei o arranjo e o pessoal conseguiu fazê-lo.

Partitura: http://friendship.com.br/kbd/Brigas_Nunca_Mais.pdf

Curta a nossa página no facebook: https://www.facebook.com/pages/Kol-Brasilis/188710351211794

ESTAMOS BUSCANDO UM CANTOR: BAIXO
Estamos buscando um cantor para nos auxiliar na voz do Baixo. Se você souber de alguém que se interesse por esse tipo de projeto, somos de Santo Andre-SP, e ficaríamos agradecidos de uma indicação. 

Obrigado.
__________
- Obadias de Deus
Músico que ganha a vida com sistemas, casado, dois filhos, sonhador e especialista em projetos  inconclusos. Vive no limiar da vida cotidiana e de seus devaneios que, ele nunca perde as esperanças,  algum dia darão certo, mas muito provavelmente não.

20.7.15

o autodidata

há pelo menos 3 tipos de autodidatas. o gênio, aquele que simplesmente sabe. o esforçado, que lê manual, livros, pesquisa no google e então executa. e o preguiçoso, que se auto intitula intuitivo, mas na verdade é porque não é gênio e não tem vontade de estudar tanto.

ao menos uma coisa é comum aos 3 tipos, a necessidade de colocar em prática aquilo que aprende (ou está em fase de aprender).
enquanto o gênio… Bom gênio é gênio, ele simplesmente sabe. nem para para entender de onde sabe, vai lá e executa. é gênio. sujeito chato. deixa ele para lá.
o esforçado se cerca do máximo de conhecimento e certezas para aí então  partir para a prática. é um sujeito metódico. e medroso, diga-se.
já o intuitivo, ou preguiçoso, não liga de correr riscos, é um ser aventureiro. a intuição exige isso. nem sempre (quase nunca) ele vai colocar na prática aquilo que já domina. na verdade, o intuitivo vai justamente aprendendo enquanto pratica, este é seu processo de auto aprendizagem. sujeito corajoso.

eu sou intuitivo. preguiçoso. sou ué.

chega aquela tv nova e o que faço? bato olho no manual, que é chato, quase sempre em preto e branco. chato. deixo de canto, pego o controle e saio fuçando. com celular, computador e qualquer outra coisa que tenha mais do que uma função.

já meio que apaguei nosso primeiro computador, um 386, porque entrei no setup (tinha aprendido um dia antes, era só apertar F9 na iniciação) e fui alterando alguns parâmetros. fiz besteira, deixei meu pai puto e perdemos tudo o que tínhamos no nosso potente computador. faz parte.

mas essa minha mania vem de muito antes. 

eu estava na 2a-Série do 1o grau, aprendendo a escrever direito, textos mais complexos. me lembro bem, era a professora hélide. aula de língua portuguesa, exercício de ditado. ainda existe isso? acho que sim né.
ditado era legal, silêncio na sala, ouvidos atentos à leitura da professora, a qual deveríamos todos transcrever no caderno. era a 2a-série, então a professora ditava até a pontuação. 

"ponto final,na outra linha, parágrafo e travessão"
" - Joãozinho (vírgula) pegue sua bola e venha para casa (ponto final)"

outra característica do autodidata é ser curioso. dias antes do dia do ditado, eu havia visto, sabe-se lá onde, um texto qualquer onde achei uma vírgula engraçada. ela tinha um pingo em cima. 
para que serve? quando uso? qual a diferença? não sabia. mas descobriria em breve.

a cada vírgula ditada pela professora hélide, eu lá metia um ponto-e-vírgula. todo satisfeito. 
'aposto que sou o único que conhece essa vírgula com pingo'.
e assim foi, a professora ditava ',' e eu transcrevia ';'.

acabado o ditado, todos destacam a página do caderno, com o devido nome anotado, e passam as folhas, da última carteira à primeira e o primeiro da fila levava à professora. eu era o primeiro da minha fila, logo, meu ditado ficara em cima de todos.

a professora começa a corrigir, um por um, e eu lá na minha carteira percebo caretas, gestos de estranhamento, cara de interrogação.

'evandro, venha cá'. 

gelei a espinha. essa é outra característica do intuitivo (ao menos é a minha, até hoje), ao perceber que possivelmente fez besteira, a espinha congela, de baixo para cima. chega a cair uns 3 graus na sala.

lentamente me levanto, caminho com passos pequenos, trêmulos, até a mesa da professora, que ficava pouco mais de 1 metro da minha.

'evandro, porque você usou ponto e vírgula ao invés de vírgula?' perguntou ela, complementando com 'eu ainda não ensinei quando se usa ponto e vírgula'.

fiquei mudo, não sabia exatamente o motivo, apenas tentei.

'está tudo errado', disse em voz baixa, para si mesma, pensando o que faria para me dar uma nota. 
vale destacar que eu era um bom aluno, queridinho da professora, da turma da frente, inteligente até. não do tipo que ganhava apenas 'A', mas que raramente descia do 'B'.

bem verdade que naquele dia, naquele ditado, seguindo as regras de correção, eu teria tirado um 'F'. mas a professora levou em conta meu histórico, eu acho.

ganhei um 'C' e um aviso, 'não use o que ainda não aprendeu a usar'.

digamos que eu aprendi mais ou menos essa lição.
__________
ev melo
aprendo; logo existo.

13.7.15

O primeiro atropelamento a gente nunca esquece

Das pequenas violências urbanas a que estamos contingencialmente submetidos, posso me considerar digno de um cartão de fidelidade para a modalidade assalto. Ok, que ser vítima de quatro assaltos em toda a vida até o momento, um a cada 11 anos, não chega a ser uma frequência tão grande assim, mas combinemos que em um mundo que se pretende civilizado e que deveria ser seguro, é uma taxa muito alta.

Mas há outras modalidades desse tipo de violência e que, em algumas delas, podemos cada um de nós ser o protagonista no papel de vilão, com ou sem culpa. É o caso do atropelamento. Quando isso ocorre pela primeira vez, é um acontecimento e, por menor que seja, é acompanhado de uma grande carga dramática.

Essa semana “debutei” nessa modalidade no papel de vilão, ainda que, por minha atitude de querer fazer valer os direitos do pedestre, já me envolvi em situações de risco real de ser atropelado em faixa de pedestre, um deles quase atropelamento quando me joguei por cima do capô de um carro para não ser atingido nas pernas em uma faixa de pedestres perto de casa. Mas não considero um atropelamento de fato porque o motorista parou a tempo e eu me projetei sobre o capô como medida de segurança; se não tivesse feito isso, provavelmente o carro teria apenas encostado em mim.

Quanto a atropelador, na realidade já tinha passado por essa experiência, mas não a considero, porque foi o atropelamento de uma pomba. Sempre evitei atropelar pequenos animais, claro, mas há muitos anos transitava por uma rua na região do Brás, em São Paulo, a uma certa velocidade um pouco acima dos 40 km por hora quando uma pomba, de tantas outras naquela rua, não conseguiu voar e ouvi o barulho do seu pequeno corpo passando por baixo das rodas do carro. Olhei pelo retrovisor a tempo de ver suas penas esvoaçando pela traseira do carro. A cena das penas esvoaçando me pareceram tão boas que não consegui ficar com dó da pomba, também por ser um animal com característica de praga urbana, ainda que haja controvérsias. Mas eu já presenciei, em duas ocasiões que me lembre, pequenos pássaros se chocando contra o para-brisa do meu carro em estradas e fiquei muito chateado. Outra vez, em uma estrada vicinal de Mauá, a caminho de Suzano, um grande rato de repente cruzou a estrada correndo. Meu impulso imediato foi frear e desviar dele, o que consegui com sucesso. No momento em que esses eventos se dão, nosso instinto de preservação de um ser vivo fala mais alto e, mesmo sendo um rato, a primeira reação é tentar não feri-lo. Engraçado isso.

Vamos ao atropelamento em si.

No feriado da consciência negra fui com o Felipe ao “Ipiranguinha”, uma praça em Santo André. Depois de um bom tempo lá, a noite tinha começado a cair, resolvemos ir embora. No caminho ele me disse que queria passar no Parque Central. Feriado, não tinha porque negar o pedido do meu caçula. Desviei o caminho e fui para lá. Chegando ao parque, o estacionamento estava meio vazio e, bem ao lado da entrada, havia 2 vagas vazias. Pela lei do menor esforço, resolvi estacionar na primeira vaga, a de fora. Como tenho o hábito de estacionar de ré, parei o carro e, bem lentamente, afinal não havia pressa, fui dando ré enquanto olhava pelo retrovisor direito para deixar o carro alinhado na vaga. Foi quando ouvi gritos. 

Tudo fui muito rápido. No primeiro instante, os gritos poderiam ser qualquer coisa, de forma que não parei o veículo. Mas, no instante seguinte, ouvi o guardador de carros do estacionamento correr em minha direção e gritar “Para!” Parei enquanto ouvia o choro de uma criança. “Vem pra frente!” Desengatei a ré e acelerei. Parei, bastante assustado, e uma imagem funesta atravessou minha mente: uma criança em um velocípede embaixo do meu carro. Abri a porta, saí e corri em direção ao aglomerado de algumas pessoas em volta de uma garota de uns 10 ou 11 anos. Por um instante começaram a gritar comigo e a me insultar: “Você atropelou a menina!” Por um momento achei que o guardador viria em cima de mim. Eu disse: “Gente, eu não vi nada! Onde vocês estavam?” Mas ninguém me respondeu, porque o objetivo era atender a menina.

Para encurtar a história, coincidentemente vinha para o estacionamento uma senhora que, pela sua atuação, me fez crer ser uma médica ortopédica ou ter conhecimentos de ortopedia, pois ela tomou conta da situação, desaconselhou o que estavam fazendo com a garota e, muito calmamente, fez tudo o que era necessário para constatar que talvez nem fratura tivesse ocorrido. A roda do veículo tinha passado sobre o dedão da garota. Nada mais que isso. Obviamente que deve ter doído bastante, ela chorou, estava nervosa, mas depois de alguns minutos, após fazer várias verificações, a suposta ortopedista lhe perguntou: “De 0 a 10, sendo zero ‘não dói nada’, 10 ‘dói muito’ e 5 mais ou menos, que pontuação você dá?” E apertou o dedão da menina: “Dois”. Ela sorriu e disse: “Acredito que nem fraturou, como eu havia pensado inicialmente. O inchamento é normal; se não parar de doer em algumas horas, levem ela ao hospital, mas não deve ter acontecido nada”.

Depois de passada a confusão inicial, tanto o guardador e um senhor que parecia ser o pai da garota, comentaram comigo, em tom de desculpa: “Você não tem culpa, você não viu.” As mulheres que estavam no grupo nem olharam na minha cara. Na realidade, em vez de caminharem pelo espaço dos pedestres, eles resolveram cruzar pelo meio das vagas dos carros e, como estava meio escuro, não os vi. Quando comecei a dar ré, acredito que eles se deram conta que eu estava estacionando e não tinha visto que vinha gente se aproximando da vaga onde eu iria estacionar. Como eu estava olhando para o outro lado, naturalmente não vi. Possivelmente, acreditando que eu pararia, ainda que estivesse bem devagar, eles continuaram caminhando. Foi quando eu atropelei o dedão da garota. 

Saí de lá com a consciência tranquila de não ter feito nada errado, afinal estava estacionando bem devagar, na vaga de automóveis, no espaço que, antes de eu fazer a manobra para estacionar de ré, estava vazio. Eu não tive culpa se os pedestres resolveram ignorar o espaço para eles caminharem e resolveram cruzar pelo meio dos carros. Quando se ignoram as regras de segurança, colocar-se em uma situação de risco é a consequência: foi o que eles fizeram. Mas não posso deixar de dizer da sensação extremamente desagradável de ter vivido uma situação desse tipo de violência urbana, ainda que eu não tenha sido o responsável (ou o maior responsável) pelo acidente, justamente pela atitude no início, das pessoas gritando comigo e algumas até me insultando, e pelo fato de que a suposta ortopedista, a suposta mãe da garota e outras mulheres presentes, terem ignorado totalmente minha presença, meu esboço de tentativa de ajuda, talvez porque me viram como “o cara que atropelou a garota”, ignorando totalmente o fato de que tudo aquilo aconteceu porque eles se portaram de maneira incorreta, colocando em risco a integridade física deles mesmos. Foi uma sensação realmente estranha. Senti como se eles tivessem me acusado de ser um irresponsável atropelador, quando na realidade quem criou a circunstância de atropelamento foram eles mesmos, já que vinham de um ponto cego do meu momento de manobra e se dirigiram justamente para a vaga que eu estava estacionando, em vez de caminharem na via de pedestres.

Por fim, não menos interessante, ao voltar para o carro, o Felipe estava assustado e, sacando o que aconteceu, desistiu de ir para o parque. Manobrei e abandonei o estacionamento. Choroso me dizia que não conseguia esquecer o ocorrido e, numa determinada altura, me disse: “Pai, você bebeu vinho! Você está bêbado!” Eu ri para mim mesmo e lhe respondi: “Não, Felipe, eu não bebi vinho; se tivesse bebido, realmente não poderia dirigir”. Fiquei contente ao perceber que, mesmo aos 6 anos, ele já tem essa consciência. De alguma forma, a educação que ele vem recebendo, tanto em casa quanto na escola, estão funcionando nesse aspecto.
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- Obadias de Deus
Músico que ganha a vida com sistemas, casado, dois filhos, sonhador e especialista em projetos  inconclusos. Vive no limiar da vida cotidiana e de seus devaneios que, ele nunca perde as esperanças,  algum dia darão certo, mas muito provavelmente não.

7.7.15

Neurose de Angústia e a forma de tratamento com a Ressonância Límbica (3 de 3)

Parte 3 de 3: Como é tratamento?

O Tratamento então passa por um desenvolvimento do autoconhecimento e o auto entendimento que acontece de forma gradual e estudos sobre o inconsciente e consciente, ou seja, formulando e planificando as ações (conscientes) que o sujeito descreve dentro do ambiente de atendimento. Essa descrição deve ser feita de forma associativa, ou seja, uma associação livre dos acontecimentos em pauta da vida, sempre observando os aspectos que mais chamam a atenção. 

Sim! Descrever as dores e, como elas funcionam desde o início. Cada dor tem um processo de início, meio e fim, sendo aguda ou crônica. Ao falar sobre essas dores o sujeito passará informações que “cairão“ do inconsciente para o consciente, isso acontecerá através dos chistes, dos atos falhos, nas descrições dos sonhos, nas conversas sem nexo, enfim acontecerá a liberação dos sintomas que será observado pelo profissional que acompanha o sujeito.

Dessa forma a Ressonância Límbica torna-se uma ferramenta muito importante para tratar as Neuroses de Angustias e, tantas outras psicopatologias associadas a Neuroses.
__________
- Paulo Bregantim
Psicanalista Clínico. Escreve sobre a alma e coisas simples. Simples assim.
Atende na clínica Reciclar Unidade II.

6.7.15

#SomosTodosChatos

Já dizia José Newton, se subiu tem que descer.  Terceira lei do Newtão, ação e reação.
Claro que ele falava no campo da física, mas por que não extrapolar?

Na vida é assim, todo ato tem consequência. Ação e reação.

Mas enquanto na física, Newton comprovou que a reação terá a mesma força e intensidade e será no sentido contrário à ação, ou seja, é possível conhecê-la e até prevê-la, na vida a coisa é um tanto mais abstrata. 

A vida está mais para teoria do caos. Reações sensíveis à sua condição inicial (ponto de origem) porém não previsíveis.

E a Internet esta aí para demonstrar isso, e mais, para potencializar isso.
As reações aqui nas redes, são em várias direções e com forças diversas, fica até confuso e chato. Muito chato.

Confuso porque qualquer assunto gera reações, provocam necessidades nas pessoas de expressar com veemência suas opiniões. Seja ela qual for, seja para qual assunto for. Você é intimado a opinar e melhor que o faça com veemência. E por isso, chato.

Chato também porque qualquer comentário, de uma pessoa qualquer, ganha igual destaque ao de um jornalista, um filósofo, ou algum especialista no assunto. Chato também porque os meios de comunicação, até mesmo os sérios, as pessoas, até mesmo as sérias, dão importância demais a esses comentários errantes.

E parece que qualquer que seja a reação, ela necessariamente tenha que atender a toda a abrangência possível do caso.

Um exemplo, o caso #SomosTodosMaju.

A moça é jornalista, apresenta a previsão do tempo no JN, o jornal mais assistido na TV brasileira. O JN tem uma página no Facebook. O Facebook é um local onde tudo isso que escrevi acima, acontece o tempo todo, todo o tempo.
A moça, Maju, é negra.
E daí? Me pergunto. E daí, respondo, que esse mundo é bizarro. E chato.

Uma meia dúzia de dezenas, talvez centenas, de pessoas demonstram seu racismo com comentários absurdos à Maju.

Em reação, milhares de pessoas de compadecem da moça e da situação que vai além da Maju, e iniciam uma coisa que está na moda, embora ainda não saibamos se tem o alcance e resultado que esperamos.

A reação da HashTag. 

E a HashTag da vez foi #SomosTodosMaju.

Bonito. Eu acho. 

Não tarda, porém, a aparecer os comentaristas dos comentários. Os chatos. 

Aquele sujeito que se indigna pela indignação. Não por achá-la errada, ou que defenda a causa errada, mas porque esta, não atinge todas as abrangências possíveis.

Vi um post, que foi bastante compartilhado, onde o rapaz, cheio de sabedoria, cria a própria HashTag. #NãoSomosTodosMaju, dizia ele que defender a Maju, moça bonita, bem sucedida, da TV, é mole. Quantos negros não passam por algo pior ao que se passou com Maju?

Verdade, muitas pessoas, pobres, negras, passam por situações grotescas todos os dias. É triste e revoltante.
Ninguém disse o contrário.

Mas o fato da Maju é para se reagir. Ou não?

Ou criaram regras, tipo ABNT, para reações de HashTags? 

1. Fica instituída a regra de que só se pode xingar muito no twiter se:

a. tal xingamento não ofenda a opinião de outrem;

b. tal xingamento explore o assunto em toda sua abrangência;
c. bla bla bla escreva aqui sua regra.

Eu sei, eu sei, o forte de Newton era a física, não a antropologia.

#SomosTodosChatos
__________
Ev Melo
Mais um chato.

3.7.15

Neurose de Angústia e a forma de tratamento com a Ressonância Límbica (2 de 3)

Parte 2 de 3: O que é Ressonância Límbica?

RESSONÂNCIA LÍMBICA: O QUE É? COMO AGE? QUEM PODE VIVER ESSE PROCESSO?
Ressonância Límbica é uma capacidade dos mamíferos de entrar em sintonia com as manifestações internas dos outros.
É a capacidade de sentir e até mesmo entender o que o outro sente, é um fenômeno que podemos dizer físico, anatômico, psicológico e espiritual.

A Ressonância Líbica facilita a leitura das emoções das pessoas que nos cercam de modo que intensificamos nossas sensibilidades e percepções aos sentimentos e emoções das pessoas que estão em contato conosco. 
É uma capacidade não verbal” que permite a adaptabilidade do nosso comportamento sem ferir ou agredir as emoções das pessoas que nos rodeiam.
Esse processo acontece quando ficamos face a face e olhando para os olhos das outras pessoas, como se fosse “amor a primeira vista”.

Outros exemplos que podemos dar sobre a Ressonância Límbica é o que sentimos como “frio na barriga”, quando o coração acelera e não temos como controlar. As mamães e papais sentem quando necessitam acordar de madrugada para aquietar seus filhos. Quando os olhos dos papais e mamães encontram os olhos dos bebes que choram e, do “nada” vão aquietando, isso é a ressonância Límbica.

Diferente de animais como por exemplo a tartaruga que coloca a cabeça e os membros dentro do casco, os seres humanos são seres sociáveis e a todo momento estão exercitando a Ressonância Líbica, pois a cada contato visual ou sensitivo estamos liberando esse processo em nossas vidas.
Essa sintonia, se assim podemos chamar, permite uma regulagem das nossas manifestações emocionais, e é fundamental para o início e manutenção dos relacionamentos.

A ressonância Límbica é um processo cérebro-emoção ( Razão – Emoção) com desdobramento físicos e mentais imediatos. A troca entre as pessoas acontecem em milésimos de segundos. É um olhar, um toque, um gesto, uma sensação e pronto, Estamos conectados no processo da Ressonância Límbica. É algo MARAVILHOSO. Afeta o batimento cardíaco, a regulação hormonal, as funções imunológicas e todas as características do sono. Sim! Todos os estágios do sono inclusive o sono REM.
Quanto mais exercitamos a Ressonância Límbica mais demonstra que estamos apaixonados pelas pessoas e por nós mesmos, já a baixa ressonância Límbica é a causadora das barreiras entre as pessoas e o afastamento de si mesmo de dos outros em nossa vida.

Engraçado, pois quando somos crianças (desde bebês) existe dentro de nós uma busca incessante pelo processo de Ressonância Límbica pelos pais, pois acredita-se que por não conhecer ainda o mundo exterior e suas possibilidades vivemos apegados aos pais e, isso é fundamental para o nosso desenvolvimento como pessoa e aprendizado da conservação e prazeres da vida. Porém, quando iniciamos o processo de independência e diminuímos a dependência dos pais e dos nossos cuidadores perdemos “parte” desse processo fisiológico e espiritual da Ressonância Límbica.

O afastamento do processo da Ressonância Límbica, pode ser o causador de dores profunda que chamo de “dores da alma” e, consequentemente produzir traços de depressão e ansiedade, pois quando ficamos sem olhar para as pessoas e perdemos as sensibilidades das questões da vida corremos o risco desviar do caminho normal da vida. Dessa forma, ficamos mal humorados, tristes, angustiados e desenvolvemos doenças psicossomáticas.

Já quando estamos buscando (consciente ou inconsciente) o processo da Ressonância Límbica podemos desenvolver o bom humos, dando cores as lembranças da vida, criando possibilidades para as questões da vida, abrindo o mundo de oportunidades, verificando as percepções de si mesmo e dos outros, diminuindo os julgamentos e aumentando o carinho com as outras pessoas, criando em fim um desejo de interdependência e mutualidade gerando o desejo intrínseco de viver em comunidade e comunhão com as pessoas.

Claro que com advindo das redes sociais perdemos um pouco desse processo, pois hoje estamos vivendo um novo tempo e, precisamos nos adaptar a essas realidades, pois não creio que o mundo vai voltar, mas que seremos cada vez mais consumidos pela tecnologia e informações digitais. Então, torna-se fundamental nutrir as amizades e os relacionamentos familiares. 

A ressonância Límbica é um processo maravilhoso que podemos retomar dentro de nós mesmo e quem sabe aprender a cada dia e com os que nos rodeiam que a sensibilidade e as emoções são passadas de pessoa em pessoa e, que somos um todo dentro de tudo e, que não podemos viver isoladamente, mas em coletividade, harmonia e amo.

Nós somos muito mais que razão, somos emoção e espiritualidade. Somos infinitamente mais que imaginamos, pois quem o CRIOU, nos deu algo muito maior que nem temos ideia. Cada pessoa tem em si mesma uma fagulha divina e que pode acender a si mesmo e tantas fagulhas que conseguir. 
Todas as mudanças estão dentro de nós. TODOS NÓS PODEMOS VIVER ESSE PROCESSO CHAMADO RESSONÂNCIA LÍMBICA.

Próximo post: Como é tratamento?
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- Paulo Bregantim
Psicanalista Clínico. Escreve sobre a alma e coisas simples. Simples assim.
Atende na clínica Reciclar Unidade II.


1.7.15

Neurose de Angústia e a forma de tratamento com a Ressonância Límbica (1 de 3)

Parte 1 de 3

O que é Neurose de Angustia?

Antes mesmo do recalque temos a angústia. Sim! A angústia é um estado afetivo experimentado por todos nós, numa ou noutra época, por nossa própria conta, nos alerta Freud.
A angústia é subjetiva, pois envolve sensações, sentimentos, dores físicas, dores emocionais. Isso faz da angústia alvo de estudos de muitos profissionais da área psicológicas.

É impossível não citar Freud quando falamos de Angústia, pois os principais sintomas que tratamos e discutimos nos últimos 100 anos se baseiam nos sintomas descritos por ele:

Freud lista os seguintes sintomas:
1. Ataques de ansiedade.
2. Ataques de ansiedade de distúrbios somáticos vários.
3. Ataques de suor geralmente à noite.
4. Ataques de tremores e calafrios.
5. Ataques de fome devoradora.
6. Diarreia sobrevindo em forma de ataques.
Tais sintomas podem existir cronicamente, mas mostram-se mais nítidos em momentos de exacerbação ou crise.

Porém, esses sintomas são individualizados, ou seja, cada pessoa sente de uma forma única, por isso, muitos estudiosos dizem que a Angústia é uma doença e outros dizem que são enfermidades psicossomáticas. Dependendo do profissional que você vai buscar com esses sintomas o tratamento será diferenciado, pois alguns utilizarão de medicamentos, preferencialmente os benzodiazepínicos e, outros encaminharão para a terapia, outros ainda prescreverão o medicamento e solicitarão o acompanhamento psicoterapêutico (esse último é o que mais indico).

Existem diferenças entre a Angústia e Ansiedade. São sutis, mas existem e creio que vai saber um pouco sobre a fenomenologia e etimologia das palavras para o entendimento.
“No sentido fenomenológico, contudo, fala-se de angústia se predominam sensações de constrição e aperto (principalmente referidas ao peito e à cabeça) e de ansiedade para se referir às expectativas negativas, a uma certa inquietação motora e psíquica generalizada e a correlatos fisiológicos como palpitações, tremores, abafamento respiratório etc. Pieron diz que “na prática, os dois termos são sinônimos”. As raízes etimológicas de ambos são comuns. A palavra angústia significa sufocar, estrangular e ansiedade se refere a incerteza, excitação, medo, estreitamento. A literatura de língua inglesa parece ter preferência por angst (angústia) e a francesa por anxieté (ansiedade).”

A Angústia ou Neurose de Angústia tem como sintomas mais comuns e mais perceptivos na maioria das pessoas portadoras um sentimento angustiante crônico e generalizado, ou seja, a pessoa quase nunca relaxa, os músculos estão sempre tensos, uma inquietação constante e incômoda, uma sensação de medo vago ou sem um significado específico, expectativas negativas relativas ao futuro, sensações de tormentas em situações que poderão lhe acometer. Fisiologicamente podem ser sentidos palpitações, sensações de sufocações, tremores, sudorese excessiva, mas estar gástrico, tonturas, delírios, sensações de perseguições, perda temporária do sono, pesadelos, etc

A sensações mais comuns nos portadores de Neuroses de Angústia é o “aperto na cabeça e no peito”. Isso pode causar dores de cabeça e ativar distúrbios psicossomáticos como: ulceras, asma, gastrites, colites, etc

Pode ocorrer também em épocas de crises fobias, histerias, desejos hipocondríacos e até mesmo a melancolia. 

Muitas vezes a performance sexual é afetada, ou seja, perda do desejo sexual. Pode ocorrer também como sintoma coadjuvante falta de vontade de trabalhar, impaciência, tristeza sem um significado específico, não sentem vontade de divertir-se, o mau humor impera nas relações de amizade, discussões desnecessárias com pessoas do convívio, o ócio não existe para essas pessoas, pois estão sempre buscando o que fazer, pois entendem que ficarem quieta e descansando pode causar problemas futuros, etc.

Veja, todos esses sintomas são expectativas exacerbadas de situações que ainda nem acontecerão e que na maioria das vezes nem acontecerão. 

Claro, isso tudo que descrevi acima gera na pessoa sensações de não ser aceito, de inferioridade, insegurança, insatisfação com a vida que vive e com as pessoas que rodeiam, sensação de que nada dá certo, esgotamento físico e mental (falam com frequência estão cansados e esgotados), necessitam de estar protegidos sempre, pois a insegurança rege a vida, sentem-se incompreendidos no trabalho, escola, família, casamento, namoro, etc. 


O quadro deve ser avaliado por um profissional da área de saúde e, depois de uma avaliação clínica fazer o diagnóstico. Não é somente lendo esse artigo que podemos dizer que temos ou não a Neurose de Angústia. Como escrevi acima é uma psicopatologia individualizada, ou seja, cada pessoa pode sentir e vivenciar de forma diferente e única.

As pessoas que têm instaladas em si as neuroses de angústia necessitam sim de acompanhamento médico e psicológico. Muito importante também é o autoconhecimento e auto entendimento do funcionamento psicológico e físico, pois isso pode ajudar muito no processo de diminuição dos sintomas.

Acredito que uma forma especial para se tratar as Neuroses de Angústia é através da RESSOLANCIA LÍMBICA. Abaixo vou descrever o que é e como funciona. Claro que devem existir outras tantas formas para se tratar as Neuroses de Angustia, eu particularmente tenho utilizado a Ressonância Límbica como ferramenta terapêutica em várias pessoas que com bons resultados.

Próximo post: O que é Ressonância Límbica?
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- Paulo Bregantim
Psicanalista Clínico. Escreve sobre a alma e coisas simples. Simples assim.
Atende na clínica Reciclar Unidade II.


29.6.15

um caso de estudo

Talvez um dia, nossa geração seja estudo de renomados antropólogos que por perspicácia que só o tempo é capaz de fornecer, tenham entendido, decifrado e possam nos explicar em livros e artigos tudo isso que hoje nos é contemporâneo, mas que ainda parece ser modernista.
 
Somos, definitivamente, a geração dos 'reality show' e das redes sociais. Mas estamos longe de saber lidar com isso tudo.
Os realities nem tanto, esses parecem desvendados, são programas falsos sobre algo supostamente real. Nos carece, apenas, entender o motivo de sua existência aos montes. Show de realidade na cozinha, em restaurantes e confeitarias, em casas isoladas, em atividades esportivas, noivas, disquitadas, construção e desconstrução de casas, colecionadores, vendedores de antiguidades, casa de penhor, tudo virou motivo para um reality show.

Já as redes sociais sim, são um grande mistério. São úteis? Para que servem? E o ponto que considero mais intrigante e principal foco dos estudiosos,  porque não sabemos nos comportar em tais redes?

Primeiro há uma necessidade, quase obrigação, de todos terem uma opinião e mais, todos precisam expor suas opiniões, em qualquer assunto. Qualquer assunto.
Muitas dessas opiniões surgem muito antes do sujeito ter sequer lido ou estudado o tema. Viramos leitores e críticos de manchetes de notícias. Sequer nos damos ao trabalho de bater o dedo no título e acessar a matéria completa. A impressão é que ao ler a manchete, nos bate aquela ansiedade de correr aos comentários e colocar ali tudo o que pensamos daquele assunto que sequer lemos.

Depois vem a agressividade? Em que momento da história nos tornamos tão agressivos? Pois não basta darmos nossa opinião, temos que fazê-la de forma convincente e muitas vezes isso se dá através da hostilidade. E ai daquele que ousar pensar diferente. Perdemos (já tivemos?) a capacidade de dialogar, de abrir uma conversa com 'eu respeito sua opinião' e seguir com ' mas penso diferente, e meus pontos são esses xxxxxxx' , e finalizar com um convite 'o que acha disso?'.

Os antropólogos abrirão um capítulo a parte para discorrer sobre os comentários, certamente.

Será que trata-se ainda de algo novo para nossa sociedade? Precisamos de tempo maior para aprendermos o equilíbrio? Afinal, esse booom de redes sociais não tem mais do que 10 anos.
Ou será que a tendência é piorar? Que, ou nos isolaremos cada dia mais do convívio social (aquele de verdade, do toque, do abraço, da conversa olho a olho), ou levaremos para o convívio essa agressividade das redes sociais?
Ambos os caminhos são perigosos. Ambos os caminhos estão se mostrando reais.

A intolerância tem se mostrado em forma de violência física e afrontas públicas. Basta acompanhar as notícias.

O isolamento está avançando ao convívio, basta olhar nas mesas dos happy hour, muitas vezes em silêncio, cada um com seu celular na mão.

Ainda bem que não sou antropólogo, embora admire o trabalho de observação desses, assim não me obrigarei a buscar entender esse nosso comportamento.

E se você não concorda com este pobre texto, então vá a m•. (brincadeirinha)
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Ev Melo
Um caso a ser estudado.

10.6.15

A dissonância cognitiva e eu



Sabe aquele medinho que temos quando vamos comprar alguma coisa de grande valor? Aquela insegurança de se estamos mesmo fazendo a melhor escolha? Pois é, isso tem nome. Dissonância Cognitiva. As empresas tem até modo de ajudá-lo a não sofrer tanto, as informações no site, blogs, especialistas, etc. por exemplo, ajudam a você a dissecar o produto antes de comprá-lo. 

Pois bem, isso eu vim a estudar recentemente no curso de Marketing. Mas sofri na pele quando criança. Um grande trauma, sério. 

Era época de natal, eu deveria ter 7 ou 8 anos. Meus pais me levaram ao Jumbo Eletro (ou era o Mappin? Não sei) para que eu escolhesse meu grande presente de natal. 

Aqui vale relembrar que nos anos 80 não tínhamos essa ostentação que as crianças de hoje tem. Hoje ganham brinquedo até quando não querem. Já escovou os dentes? Então toma aqui um brinquedo novo. Tirou média 5 na escola? Ah se fosse 10 ganharia um presentão, mas toma aqui um presentinho. 

É assim agora, mas não era antes. Na minha infância haviam 3 grandes momentos no ano para presentes. Dia das Crianças, Aniversário e Natal. Nesta ordem de importância e consequentemente do tamanho do presente. (Quem fazia aniversário próximo ao Natal, se lascava).

Era justamente o Natal e lá fui eu. Fui apresentado à seção dos brinquedos. Me fixei em 2. Mas qual? E agora, qual? Qual? 

Um deles era o circo do Playmobil. Coisa fina, cheio de bonequinhos, bichos e cenários. O outro um avião caça dos Comandos em Ação. Ambos vinham em caixas grandes, incríveis. Mas qual? 

Olha aí a dissonância cognitiva me assolando. Como escolher entre os dois? Na boa, eu tinha uns 8 anos, não deveria ter esse tipo de pressão sobre meus ombros. Então eu fui e escolhi (não sei porque) o caça dos comandos em ação. 

Não era de todo mal. Só que não era brinquedo para criança. Não veio nenhum boneco, nas primeiras investidas o trem de pouso se quebrou, era grande demais para caber na caixa de brinquedos. Até hoje sonho com Playmobil. Já pensei em deixar meu ID passar por cima do meu Ego e me permitir comprar um novo. 

Mas sei lá, Playmobil agora é brinquedo gourmet, custa caro. Uma coisa é sabida, não permitirei crianças desprevenidas fazerem escolhas que possam assolar o resto de suas vidas. 

Dissonância cognitiva os cambau, se tiver filho, eu vou escolher o brinquedo de Natal dele. Que por alguma coincidência será o circo do Playmobil. 

P.S.: Essa semana faleceu o criador do Playmobil. :-(
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Ev Melo
Uma criança sem o circo do Playmobil.

2.5.15

artista presente

A arte é a única forma de comunicar que se basta em si. Explico, enquanto qualquer outra forma de comunicação só estará completa se de fato houver uma ligação clara entre o comunicador e o público. Um texto jornalístico só fará sentido se o público compreender o que ele está passando. Um discurso de um político, só tem sucesso se o público se sentir por ele influenciado. Uma piada só sem razão se provocar o riso.

Mas não com a arte. A arte basta-se em si. 
Um quadro de Picasso para uns não passa de traços sem perspectiva. Para outros é a mais pura forma de beleza. Mas os traços de Picasso se bastam em si. Não entendeu o que o artista quis trasmitir com aquela tinta sobre tela? Não importa, o fato de você ter parado em frente ao quadro e chegar a esta dúvida, bastou.

Tentar enxergar a arte com o mesmo olhar que vemos a vida comum, o cotidiano, é o que produz comentários inadequados rebaixando o que não se pode alcançar.

O poeta Manoel de Barros, escreveu:
“A expressão reta não sonha.
Não use o traço acostumado.
A força de um artista vem das suas derrotas. 
Só a alma atormentada pode trazer para a voz um formato de pássaro.
Arte não tem pensa:
O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.”

O artista transvê o mundo. É preciso artistas.

Tempos atrás me chamou a atenção a matéria de algum jornal sobre a exposição no MoMA (Museum of Modern Art) em Nova York de uma artista que se sentaria 7 horas por dia em uma cadeira, tendo à sua frente outra vazia que poderia ser ocupada por pessoas que assim quisessem.
Achei aquilo uma baita falta do que fazer. Sentar numa cadeira e só? Pensei. Era o que meu olho via. Desconhecia a vida e obra da tal artista. Não procurei entender o sentido daquela obra. Apenas vi e reclamei.

Pois a vida colabora para que eu não seja um completo idiota (idiota já basta, não precisa ser completo), e passando os canais da TV, já tarde da noite de uma sexta-feira de feriado, vi o início de um documentário no GNT, chamado 'Artista Presente'. Pausei o controle remoto no encosto do sofá e resolvi assistir.
O documentário contava a vida de Marina Abramovic, a tal da artista que eu chamei de desocupada. Marina é Youguslava, uma artista performática, que usa a si mesmo para expressar. Ela é sua própria obra.
Marina é iluminada, pessoa bela, interessante, cheia de história e vivência. Daquelas que eu passaria tempos conversando, ou melhor, ouvindo.
Marina transvê o mundo. É preciso Marinas.

O documentário apresentava suas maiores obras e culminava na apresentação do MoMA onde ela sentaria em uma cadeira e encararia um por um, os que sentassem à sua frente. 

Uma multidão se formava em volta daquela obra onde a artista estava presente, onde a artista era a obra. Uma fila enorme se formava para sentar e ter o dedicado olhar da artista.
E que olhar. É preciso olhar.

A cada nova pessoa, o mesmo ritual. Marina abaixava lentamente a cabeça, levava as mãos aos olhos, como quem desfaz de seus preconceitos, eleva a cabeça e olha, como nunca olhara antes, para a pessoa em sua frente. E ficavam o tempo que fosse preciso. 
Alguns riam, alguns olhavam apenas curiosas, outros deixavam lágrimas rolarem. Olhares alegres, tristes, curiosos, cada olhar uma vida, cada vida uma história. Ninguém saía dali da mesma forma como entrara.

Marina transvê o mundo.
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Ev Melo
Transvendo o mundo.


20.4.15

Centro cirúrgico

E aí, do nada, você é levada do quarto, numa cadeira de rodas, vestindo apenas uma capa que amarra atrás, protetores para os pés, e touca na cabeça. Ah, já ia esquecendo: eles colocam um lençol sobre você com o intuito de lhe deixar mais confortável, mas todos sabem que isso não é possível.

 

Antes, no entanto, você se preparou para este momento: vai embarcar no que lhe parece ser a melhor opção para sua saúde. Seu caso não é de vida ou morte, ainda. Mas caminha para ser. Então, , você pensa, se Angelina Jolie pode tirar os seios para evitar um câncer que sequer sabe se vai ter um dia, você também pode tratar-se preventivamente e garantir um futuro (próximo) mais saudável.

 

Os médicos lhe indicaram, você pesquisou tudo, a família e amigos (a maioria) apoiaram. Tudo certo.

 

Até porque, você pondera, caso algo aconteça, você não é do tipo que tem medo da morte. Não, ao contrário. Já chegou a desejá-la, inclusive. Hoje acredita apenas que ninguém vai embora antes da hora. Tudo certo.

 

Você pesquisou, analisou os prós e todos os contras, tudo o que pode dar errado (aquela lista enorme), conseguiu os laudos necessários, assinou todos os termos, autorizou-os a fazer transfusão de sangue, caso necessário fosse. Mas espera: você já tinha lido algo sobre necessidade de transfusão num procedimento destes? Não, parece que não. Mas deve ser hipotético, claro que sim. Os médicos precisam resguardar-se, afinal. Assina e entrega. Tudo certo.

 

Em menos de uma semana, a cirurgia.

 

Alguém muito próximo lhe pergunta num tom de lamento já há muito conhecido: "você tem certeza que é isto que você quer?" . Você, segura que está: "claro que sim! Mas... por que a pergunta?" Lá no fundo, você sabe que não deveria perguntar, mas está deveras curiosa para saber se há algo que você mesmo não está ponderando, embora lhe pareça impossível, depois de tantas conversas com operados que estão aí para contar a história. E como resposta, vem um "Porque sim." E você respira aliviada por não ter que se justificar ao menos para esta pessoa.

 

Um dia antes, você inicia o preparo indicado pela equipe médica - pela segunda vez, já que a cirurgia fora adiada por uma semana - e no dia seguinte, sem muita mobilização, interna-se logo cedo. 

 

Agora está você e sua acompanhante conhecendo o quarto onde ficará, a TV, os canais disponíveis na TV a cabo... Até que chega o momento da primeira sentença desta história: Você é levada.

 

Apenas um "vai com Deus" naquele velho e conhecido tom de lamento e fecha-se uma porta atrás de sua cadeira.

 

Você não conhecia essa sensação: a de ser levada por um desconhecido, para algo mais desconhecido ainda. Sequer a de ser levada você se lembrava.

 

Neste momento, você já não é mais o dona de si, já não dita as regras, já não indica o caminho. Você apenas precisa confiar em alguém que você nunca viu antes. Você não faz idéia do que encontrará e nem do que se sucederá na sequência. 

 

Você é 'estacionada' num local onde estão, aparentemente, pessoas na mesma situação que você, e outras que já passaram por seus procedimentos e estão sob supervisão. 

 

Os que esperam, como você, são chamados para seus destinos, e outros chegam, e vão-se também. 

 

E aí é que tudo começa. Numa fração de segundos, toda a segurança, todo o conhecimento sobre o procedimento e os dias que se seguirão, toda a força que lhe é característica... Tudo desaparece. Você se vê ali, vulnerável como nunca esteve e a ponto de ser levado pela anestesista que se apresentara minutos antes. Essa senhora alta e de voz imponente vai simplesmente te apagar. É nesta hora que começam os famosos "e se..." E se você tiver alergia à anestesia? E se você não voltar da anestesia? E se suas veias nada legais resolverem não aparecer quando necessário receber medicamentos? E se você tiver aquela complicação pós cirúrgica que pode causar infecção generalizada? 

 

Muitos outros "e se..." começam a surgir em progressão geométrica enquanto você tenta inutilmente evitar o pior deles: "e se você morrer"? O que lhe vem à cabeça de imediato é: "minha mãe e meu cachorro precisam de mim. Eles não estão prontos." E pela primeira vez admite: "eu não quero morrer." E como se não bastasse o turbilhão de emoções que te assombra enquanto você balança a perna direita freneticamente, um sentimento velho conhecido seu dá as caras: a culpa. Você sente culpa por ter procurado e ido com seus próprios pés a uma situação que lhe coloca, fatalmente, diante de uma possível morte, provavelmente precoce.

 

Não há nada, não há ninguém. Apenas você. E neste momento, você faz algo que aprendera com aquela que lhe espera voltar em algumas horas. Você ora. É só você e seu Deus. Você, na versão mais pura possível, sendo quem você realmente é. Você ora e pede paz. 

 

Algum tempo depois alguém te acorda do seu cochilo para então entrar no centro cirúrgico que está, finalmente preparado para te receber.

 

Você decide que pode ir andando até a sala, e deitar-se sozinha naquela mesa um tanto desconfortável. 

 

E então , depois de muito tempo, você é colocada para dormir. E o mais legal é que as horas que se seguem, jamais serão por você conhecida. Mas é certo que você voltará de lá para contar essa história.

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Pri Ferminio

13.4.15

a tal da terceirização

A pauta agora é terceirização. Certo?
Todos falando nisso. É assim, surge o assunto do momento e todo nos sentimos na obrigação de opinar. 
Mas neste tema, eu tinha pouco conhecimento; Como opinar? A princípio eu era a favor. Afinal, o que há de errado em terceirizar a mão de obra num país onde os direitos trabalhistas são tão complexos e caros? Certo?

Eu mesmo trabalho com vendas de terceirização de datacenter, o tal outsourcing, hosting. Explicando melhor, a empresa ABC faz parafusos. Para comercializar seus parafusos precisa além de maquinário, ferramentas e matéria prima, de sistemas de gestão que por sua vez demandam servidores que por sua vez demanda um datacenter... Tudo isso para gerir seus negôcios, emitir notas fiscais, otimizar processos etc. Tudo isso demanda tecnologia, que não é o foco da ABC. Então é aí que entram meus serviços, a ABC nos contrata para sermos o braço da tecnologia (TI) deles. Ou seja, terceirizam algo que não é foco, é complexo, porém é essencial, e assim podem cuidar de fazer mais e melhor seus parafusos.

Seguindo este raciocínio, é justo que as empresas queiram terceirizar sua mão de obra para uma empresa de RH, por exemplo. Voltando para a ABC parafusos. Seu produto é parafuso e para produzir parafuso se faz necessário pessoas, e essas pessoas demandam um grande foco burocrático para que tudo fique dentro da lei. Impostos, leis trabalhistas, recrutamento, demissões... Complexo.
A ABC parafuso então chama a empresa especializada em RH, a XYZ, que fica responsável por toda essa gestão da mão de obra. A ABC fica portanto com o core business, os parafusos.

Parece tudo correto, certo? Não num mercado pouco confiável, que se faz valer do imediatismo e da falta de ética para angariar lucros exorbitantes. Não num país pouco sério como o Brasil.

Imaginemos que a ABC parafusos, tenha um quadro de 1000 funcionários. São mil famílias dependendo deste emprego e asseguradas pelas leis vigentes. A ABC tem de estar dentro da lei (ok, não quero tratar das excessões aqui), ao demitir um funcionário, por exemplo, ou ao garantir recolhimento de impostos que venham a beneficiar o empregado posteriormente, etc.

A empresa de RH XYZ também precisará garantir o mesmo. Até aqui tudo bem. O problema é a falta de regras para a contratação de empresas como a XYZ. Quanto tempo de mercado ela possui? Qual seu caixa, é suficiente para garantir o cumprimento e pagamento dos direitos de todos os trabalhadores em caso de demissão em massa? É uma empresa idônea? 

O que já ocorre na prática são empresas de fachada, recém criadas para atender exclusivamente a uma empresa e que não tem a seriedade para cuidar de seus funcionários. O que acontece são empresas como a XYZ fecharem as portas, os sócios fogem com tudo e os funcionários ficam sem ter a quem recorrer.

O que hoje já ocorre para as funções 'meio'. Hoje porém, pela falta da lei da terceirização, a empresa contratante pode responder por vínculo empregatício entre outros. Com a tal lei, não mais.

É dar um salto grande demais em um mercado mesquinho e um país pouco sério.
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Ev Melo
Alguém que provavelmente está redondamente equivocado. Ou não.

5.4.15

Maus: A história de um sobrevivente

Escrevo esta resenha (ou quase isso) com 20 anos de atraso. A primeira parte de MAUS foi lançada no Brasil em 1986 e a segunda em 1995, mas eu, que sempre gostei, li e colecionei quadrinhos, em especial as grafic novels, só fui comprar e ler MAUS agora, em 2015.

Acho que fiz bem. Não que tenha sido intencional o atraso na leitura, mas creio que agora, aos 33, tenha apreciado mais a densa história do que se tivesse lido aos 14.

No livro, Art Spiegelman conta, em quadrinhos, a história real de seu pai durante a 2a Guerra Mundial. E contando a história de seu pai, conta a de milhares de judeus que sofreram, morreram, sobreviveram no holocausto.

O livro é excelente pela história e pela forma como Artie escolhe contar. Através de entrevistas com seu pai, vai montando a história ao mesmo tempo que a vai compreendendo. Hora mostrando o pai na época da guerra, hora ilustrando a si mesmo durante as entrevistas. Isso torna tudo ainda mais denso, mais verdadeiro e mais empolgante.

Sem apelações exageradas, todo o horror da guerra é colocada em arte, com os judeus ilustrados como ratos, alemães como gatos, poloneses como porcos e americanos como cachorros.

Corajoso é um adjetivo que expressa bem esse trabalho. Artie conta a história sem medo de mostrar sua relação difícil com o pai, a falta que sente da mãe que se suicidou quando ele ainda era pequeno, e de suas tristezas. Não se deixa tentar em fazer um trabalho pendurado em clichês ou de sentir demaseada pena de seu povo. Mostra todo o horror que envolveu a história sem poupar os próprios judeus. Como no episódio em que o pai, um senhor de idade, vivendo desde há muito tempo nos EUA, fica indignado quando Artie e sua noiva dão carona a um negro.

Vale a leitura, vale ter um livro como este na estante. Vale muito.
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Ev Melo



4.4.15

triste páscoa

Há cerca de 2015 anos atrás, nascia Jesus, o messias, o redentor do mundo. Há 1982 anos, morria crucificado Jesus, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Cumprindo assim a profecia e sua missão, alguém puro e único como nunca houve nem haverá, se entregou à morte, e morte de cruz, para salvar o mundo.

Mais importante que o Natal, nascimento de Cristo, é a Páscoa, para os que assim crêem em Jesus (claro). 
É na Páscoa que devemos simbolizar o real sentido do Natal. Não é no nascimento, mas sim na morte, que devemos celebrar nossa redenção. Obvio, ninguém morre se não nasceu antes, mas você entendeu.

E é justamente a Páscoa a data festiva mais usurpada e desconfigurada que temos no calendário cristão. 
Triste.

Destruímos o Natal também, verdade, com a figura do papai noel e tudo mais, mas ainda há presépios, ainda se fala do menino jesus, reis magos, etc. Ainda fingimos que trocamos presentes pois a tradição se iniciara com os presentes ganhos pelo menino Jesus.

E a Páscoa? Salvo a tradição católica (muito bonita por sinal) que ainda mantém atos simbólicos da morte até a ressurreição, de resto é uma confusão em filas de supermercado para comprar ovos de chocolate trazidos pelo coelhinho da páscoa!
Ovo, de chocolate, coelhinho, páscoa!! Ok, você entendeu.
Triste.

Poderia para este texto por aqui, mas vou além. Tem algo ainda mais perturbador e triste na Páscoa. 
É perceber que os cristãos, sobretudo os ditos evangélicos que dominam a mídia e boa parte da massa, se assemelhem muito mais com os fariseus, os escribas, os religiosos, aqueles que mataram o Cristo, do que com o próprio cordeiro morto pelos pecados do mundo.

É de doer na alma assistir a bancada evangélica ganhando espaço no congresso e sendo liderada por gente como Eduardo Cunha, Feliciano, e afins. Ver aplaudirem as presepadas de Bolsonaro e cia.
É ter em gente como Malafaia (argh), a figura de um representante do cristianismo.
Triste.

Esses, se lá estivessem no ano 33, estariam cuspindo, chicoteando, condenando e assistindo com orgasmos múltiplos a crucificação do messias.
Esses que insistem em usar as escrituras como armas para constranger e condenar.
Esses que ignoram quem foi Jesus, que se intitula Deus, que se intitula Amor. Jesus foi o próprio amor encarnado.

Triste ver que esses estariam levando menores infratores à presença de Jesus e ouvindo dele "atire a primeira pedra".
Triste esses buscarem tão somente nas letras verbalizadas o que chamam de verdade, a pautar suas condutas. Ignoram as entrelinhas, ignoram os atos, o jeito e as mensagens que Jesus não disse. 

Jesus escolhe se reunir na casa de plebeu. Jesus escolhe pedir água a uma mulher divorciada e ainda por cima Samaritana. Jesus se deixa tocar e se derrete a uma prostituta e vê nela beleza. Jesus condena religiosos e absolve a adúltera. Jesus transgride leis, como a de nada fazer no sábado. Jesus olha para o ladrão a seu lado na cruz e diz 'ainda hoje estará comigo no paraíso'. Jesus chama as crianças, as abençoa e alerta que quem não for como uma delas, não entrará no reino dos céus...
Jesus ora pedindo perdão ao Pai por seus algozes. 'Eles não sabem o que fazem'.

Triste constatar que pior que subverter um feriado santo para satisfazer a lógica capitalista, é notar nos próprios religiosos as principais características condenadas pelo Cristo.

Perdoe-nos Pai, não sabemos o que estamos fazendo.

(sim eu sei que o calendário não bate com a data real do nascimento de Jesus, mas você entendeu...) 
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Ev Melo