24.12.14

Rompimento

Bem, o ano está findando, e aí a gente começa a pensar na vida, certo?  Certo. Ficamos emotivos, lembramos do que deu certo, e sobretudo, do que deu errado.

E se você é meu amigo (ou repara em meu facebook, rs) sabe que tive um rompimento recente. Mas não foi essa a motivação para falar sobre esse assunto (e também não será a tônica deste texto). Tampouco o fato de ter tido um ano difícil, cheio de curvas, derrapadas, altos e baixos. Aliás, que ano! Pode ir, querido, não sentirei saudades - é minha mensagem a 2014.

No texto anterior, contei um pouco de minha história e de meus "porquês". E quando escrevo, é disso que costumo falar. Digo do que sei por ter vivido, e não por ser especialista nisto ou naquilo. Aliás, não ser especialista em coisa alguma é assunto para outro texto.

Voltando aqui ao ponto, casei-me aos 20, separei-me aos 24, divorciei-me aos 27 (mera formalidade). Esse simples histórico faz de mim alvo fácil de um grupo de pessoas: amigos, colegas ou conhecidos com problemas conjugais,  na maioria das vezes, cristãos. Por alguma razão, me tornei algum tipo de 'case  de sucesso' para pessoas que se vêem em situação de conflitos e começam a pensar nesta palavrinha que, de tão carregada, escreverei em letras grandes: ROMPIMENTO.

E nestes anos todos, tento compreender as entrelinhas dessa associação e só uma coisa me vem à mente: as pessoas que começam a pensar em rompimento precisam de apoio. Eu precisei. E a razão é muito simples: desejar romper com algo ou alguém traz consigo uma grande carga de culpa, sobretudo em cristãos, que durante toda a vida são ensinados que Deus não tolera rompimentos "a não ser que" (vocês já conhecem essa listinha de exceções...). Sendo assim, para aplacar a culpa, a pessoa procura apoio em outrem. E é aí que entro: a moça cristã, exemplo em sua comunidade, cuja história sempre parecera conto de fadas, ou conto de Deus - 7 anos de namoro cristão, casamento lindo, vestido branco, música ao vivo, festa - do nada, vira escândalo. 'Larga' o marido e muda-se para um bairro afastado. Algum tempo depois, é vista 'em bom estado',  vivendo bem e, ao contrário do que se esperava, nenhuma maldição lhe sobreveio. Sucesso!

Acredito ser essa a explicação para essa atração que exerço sobre pessoas nesta situação específica, uma vez que  acreditam que encontrarão em mim o apoio de que precisam para superar a culpa, e colocar em prática seus planos de rompimento.

No entanto, amigos, lamento dizer que eu sempre decepciono, na medida em que não incentivo alguém a levar adiante tais planos. E o que isso diz sobre mim? Que sou confusa? Contraditória, talvez? Ou seria hipócrita?

Rompimento: Ato ou efeito de romper, de quebrar, despedaçar; (...) quebrar com violência; dilacerar ; separar em pedaços; esquartejar; rasgar; entrar violentamente por; interromper o curso regular de; quebrar; violentar; destruir (...) ("rompimento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/rompimento [consultado em 22-12-2014].)

A separação não foi uma escolha fácil. Foram longos 4 anos até entender(mos) que era nossa única opção. E o que veio depois? O que te parece vir depois de um rompimento? Eu digo o que vem: dor, sofrimento, solidão, culpa, sentimento de fracasso imensurável e mais uma série de outros sentimentos de longa e indefinida duração, independente das condições em que se dá o rompimento.

Ninguém sai ileso de um rompimento, por maior que fosse o desejo de separação. A forma abrupta com que se dá, machuca, fere profundamente, atinge o que se tem de mais precioso, aquilo que Salomão em toda sua sabedoria aconselha que seja protegido, guardado, sobre todas as outras coisas. Falo do coração, falo da alma. Trata-se de uma marca, meu amigo, que vai levar consigo por toda a vida, e se nela acreditar, pela eternidade.

Por essa razão, ninguém jamais encontrará em mim apoio para levar adiante planos de rompimento, a menos que tudo o que se possa fazer já tenha sido feito.  É sob essa perspectiva que vivo, mesmo depois de ter um "divorciado" em meu estado civil, e de ter encontrado pelo caminho pessoas que vivem sob perspectiva totalmente contrária (sim, falo de pessoas para quem relacionamentos e pessoas são descartáveis), que é e sempre será minha escolha.

Se pudesse voltar no tempo e refazer algumas escolhas, viveria de forma que apenas um tipo de rompimento me fosse inevitável: aquele que ocorre quando o Criador chama para si alguém que já cumpriu o que lhe estava proposto a essa vida. Aquele rompimento imposto pela morte. Tendo (sobre)vivido a esse tipo também, caro leitor (posso escrever isso em todos os textos, Ev Mello? Hahaha), lhe asseguro que não há distinção nessas dores, ao menos por definição. Todo rompimento provoca dores inigualáveis e cicatrizes que nem sempre serão saradas.

"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida" - Provérbios. 4:23
__________
- Priscila Ferminio
Um ser inquieto e talvez um tanto inconformado (demais). Uma alma oito ou oitenta - sempre em luta com a segurança do oito diante da graça do oitenta... Implanta sistemas de gestão fiscal pra ganhar a vida. Canta e brinca de confeitaria pra vivê-la.                     

Nenhum comentário:

Postar um comentário