12.12.14

a primeira poesia

A primeira poesia que ouvi nem era poesia. Bom, na essência era, mas não nasceu poesia. Tampouco eu, uma criança na primeira série do primário, sabia o que era uma poesia. 
Mas desde menor ainda já sabia admirá-las, mesmo não sabendo que as admirava. A primeira poesia que ouvi, jamais esqueci. Sem nenhum esforço para decorá-la.  Poesias não são decoradas, são tatuadas na pele da alma.
A primeira poesia que tenho consciência foi dita pela professora Carmem na aula de ciências. Foi curta, simples e direta. E bela, não esqueçamos da beleza.
A primeira poesia da minha vida de tantas outras, me abriu os olhos como uma criança diante do recém surgido Papai Noel. Me despertou os sentidos, me acordou de um sentimento de que as aulas não serviam para muita coisa senão para receber elogios ou broncas em casa. Me fez perceber que há sentido nas palavras. A primeira poesia de minhas lembranças, ouvi quando pequeno, na aula de ciências pela boca da professora Carmem (ou era Lúcia? Áurea, talvez), foi simples e direta e me ensinou a respirar vida.
E tudo isso por uma simples lição contida numa curta frase: O vento, é o ar em movimento.
A primeira poesia de minha vida me colocou em movimento. Como o vento.
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Ev Melo
Uma pessoa rara, como outra qualquer.

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