8.12.14

1982...2014

1982, escola estadual de primeiro e segundo grau carmem cotta, coronel fabriciano, minas gerais

quando aprendi a ler foi o divertimento [de diverso, coisa diferente!]. a menina de olhos arregalados no auge dos seus sete anos... sem me dar conta o mundo assumiu outra aparência: eu sabia ler! eu podia ler! aquilo que antes eu observava nos adultos, como que um segredo de se fazer, foi um mistério que se revelou a mim, na verdade, a menina achava que eles inventavam tudo que liam, cada um inventava sua história de palavras e por serem adultos, todos se entendiam.

desde então, pela combinação das sílabas, devorei as palavras, lia tudo, primeiro por desafio e depois por gosto.  naquela infância, minha mãe comprara, daqueles vendedores de porta em porta, uma coleção de contos de fadas; li e reli aquelas páginas dezenas de vezes por anos da vida, e mesmo já sabendo a história havia uma vontade de chegar a tal parte para ler [ou ver] de novo. ainda tenho gosto por aquela sensação das imagens e das palavras que tocam meus ouvidos e minha mente.

não me tornei uma grande leitora, apenas uma ansiosa por guardar em mim todos os livros do mundo. as palavras lidas me deram acesso a algo que minhas mãos não poderiam tocar, e levou meu pensamento por céus inexistentes, assim como minhas reflexões; até ao ponto que faltaram palavras para significar o que penso.

ao fim, por alguma qualquer razão, me veio o desejo de escrever, nalgum instante aquele mesmo sentido que me foi dado por outros se tornou vontade em mim. não sei qual a fisiologia desta vontade, nem o espaço que ela ocupa na vastidão do universo. me resta, pela conservação da minha sanidade e pelo instinto de respirar e ser que eu esteja sempre lá... eu e as palavras.

2014. são bernardo do campo, uma cidade no mundo
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- kelly guimarães
filósofa das letras pequenas. textos profundos e maiúsculos, tudo em letras minúsculas.

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