27.11.14

Por que eu não vou mais à igreja?

Recentemente minha mãe, respeitável senhora em sua comunidade assembleiana, passou por uma cirurgia. Com isso, recebemos a visita de vários irmãos, velhos conhecidos meus - já que nasci e fui criada nesta comunidade - e de seu novo pastor, a quem não conhecia, mas dissera já ter ouvido falar a meu respeito.

Bem, com essas visitas, uma pergunta voltou à tona e tive de resgatar minha coleção de respostas padrão já guardadas numa daquelas gavetas de meias velhas que só acessamos no inverno.

Mas acontece que, inquieta que sou, num dos momentos de ócio, voltei a pensar na resposta real. Aquela que dá preguiça de ficar explicando às pessoas porque a resposta imediata será que "devemos olhar pra Jesus, e não pro homem, e blá, blá, blá..." Isto porque em geral, as pessoas, essas pessoas, estão tão engajadas  em transmitir sua verdade que simplesmente são incapazes de ouvir o que você diz, ponderar, e só então argumentar, de forma a engatar o que costuma ser um diálogo.  Infelizmente, a maioria dos cristãos não são treinados pra isso. Então, de fato, raramente me dou ao trabalho de responder honestamente a perguntas como esta: "Por que você não vai mais à igreja?"

Mas existe uma resposta a esta pergunta, e ela é relativamente simples: eu represento uma "classe" de pessoas, de mulheres, sendo mais específica, para quem as igrejas não estão prontas. Nenhuma delas. Aquela mulher a quem não se pode rotular. Aquela que não se encaixa em nenhum "grupo".

E neste momento, você pode até se sentir ofendido e pensar que em sua igreja não existem tais grupos. Quer ver? Tem "os adolescentes", "os jovens", "os jovens casais", "os casais sem filhos", "os casais com crianças", "os casais maduros", "as viúvas", "as mães"... e agora é provável que você esteja se lembrando dos outros grupos que sua igreja acolhe e trata com amor e carinho. E pode até mesmo estar se indagando "de que planeta terá vindo essa moça pra não se encaixar em nenhum deles?" Ou talvez, algum leitor mais atento já tenha descoberto o motivo desta pobre garota se sentir excluída, e está morrendo de dó. Pode parar, caro leitor! (sempre quis escrever 'caro leitor'. Valeu Ev Mello!). Não é pra isso que te chamei a essa leitura, ok? Essa que vos escreve já passou dos 30 mas está longe dos 40, é divorciada, independente, não é mãe, mas tem uma, a quem ama e cuida como se filha fosse; sobrinhos aos montes e um yorkshire bebê. E te desafia a responder em poucos segundos a uma simples pergunta: "em que grupo de sua igreja me encaixaria?"

Chega a ser engraçado o desconforto que provoco nos "irmãos". Eles não sabem se me convidam pro evento dos jovens ou pro encontro das mulheres. Trata-se de estar totalmente fora da curva. Vale lembrar que a curva é: pessoas cujas vidas são dentro dos "padrões cristãos bíblicos gospel evangélicos crentes". São esses que a igreja ama, embora se iluda e realmente acredite em sua pregação que diz o contrário. Abre-se aqui uma exceção para os extremos - a igreja ama os diferentes de si ao extremo (desde) que queiram 'enquadrar-se" em seus padrões - como gays, espíritas, prostitutas, viciados, etc (espero não precisar justificar esta frase à gangue dos politicamente corretos - leia-se: chatos de plantão).

Ah, sim. É preciso esclarecer que este não é um discurso de uma pessoa ressentida com a igreja. Ao contrário, é de uma cristã resignada.

E não, não estou em crise de identidade (não desta vez). Sei exatamente quem sou e principalmente, como Cristo reagiria caso cruzasse comigo em algum poço da vida. Mas talvez a igreja esteja, pois pregam domingo após domingo sobre mim, a samaritana, com lágrimas nos olhos, mas não tem a menor idéia do que fazer quando alguém como eu resolve se juntar a eles. Ou pior, quando alguém que era como eles, se descobre alguém como eu.

Acaba o culto. É melhor sair logo e nos livrarmos todos deste desconforto. Já no carro, volto a ser eu, a divorciada de trinta (e um, quase dois), tão samaritana quanto aquela, que já teve cinco maridos e o que agora tem não é seu (isso é só licença poética - devo ter perdido a conta e não tenho nenhum no momento - hahahaha)

Chego em casa, converso um pouco com Dona Neuza, pego o Aslam no colo e recebo suas gostosas lambidas no rosto, brinco com os sobrinhos, respondo aos amigos online e percebo que meu culto começara, finalmente.

É é por isso, então, que não vou mais à igreja... 
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- Priscila Ferminio
Um ser inquieto e talvez um tanto inconformado (demais). Uma alma oito ou oitenta - sempre em luta com a segurança do oito diante da graça do oitenta... Implanta sistemas de gestão fiscal pra ganhar a vida. Canta e brinca de confeitaria pra vivê-la. 

25.11.14

Inspirar e aspirar

Nossas aspirações estão relacionadas com nossas inspirações. Diga-me o que aspira e eu te direi quem e o que te inspira.  

Quando ainda criança existe aquela liberdade de estar entre diversas cores, de lápis , pintura , papeis , é tolerável pintar fora das estruturas,  seja aquela  de uma folha, quem quando era criança avançou, quebrou as limitações do sulfite pintou o chão, a parede, o boneco, a porta os braços, a cara e a mão.

Não lembro haver escutado de nenhum menino ou menina: eu sou artista ou quero ser artista, sou criativo, basta olhar no seu ser, no seu corpo, existe poesia e articulação nas suas palavras, a busca do  novo. Ser criança é não perder a percepção  do assombro, da imaginação,  é viver tranquilamente e intensamente no mistério.

Nós adultos somos os responsáveis de pouco a pouco ir cortando as asas daqueles que são pássaros na sua essência e não somente esta atrocidade, mas também   rapidamente os colocamos em nossas gaiolas. 

Aqueles que são a inspiração para nosso mundo, são motivados a aspirar as coisas dos adultos. Enquanto se aprendia todo tempo livremente entre todos e em todo momento, agora existe o momento, o tempo, é determinado quem pode ensinar e aonde se pode aprender , porque estudar  é ter conhecimento  que nos leva  a ter poder. Assim somos estimulados para chegar ao sucesso, onde tudo parece ser calculável, reduzido a números, onde  a vida pode ser planificada, administrada, se anula a existência do mistério, nos auto- enganamos que podemos explicar todas as coisas e assim resolver todos os enigmas porque pensamos  que por meia da ciência e da tecnologia  tudo pode ser resolvido. 

Ninguém está livre da tentação de depois de ser criança querer participar no  circulo vicioso de construir  e  manter em pé as estruturas  que nos brindam uma falsa seguridade , seja ela por meio do dinheiro, por meio do acumulo de bens adquiridos, toda esta dependência e busca na verdade nos controlam, determinam e disciplinam a nossa maneira de viver, e geram uma insatisfação interminável e a incapacidade de celebrar o simples, o pequeno e o limite.  

 É necessário que para que esta ordem se mantenha  os sacrifícios sejam feitos  sejam eles humanos ou da natureza porque quem não protege a vida não tem reverencia pelo sagrado, e com isso existe e persiste somente um alvo para o grande desenvolvimento, crescimento e progresso. Como podemos pensar e agir a partir destas perspectivas em um mundo finito? Porque não pensar nas próximas gerações? Nesta grande projeto aniquilador  quem está fora quer entrar, quem está dentro faz qualquer tipo de acordo para não sair, seja até mesmo entregar sua própria vida  e da sua família no altar dos falsos deuses atuais.

A única coisa que se aspira é chegar ao lugar mais alto, ter tudo que se pode ter, consumir o que existe e o que  esta terminando, criar produtos que satisfazem desejos imediatos mesmo que os seus resíduos demorem anos e miles de anos para se decompor, pensando que tudo isso desaparece por uma questão de mágica , somos a unica especie que produzimos lixo e empilhamos em algum canto por ai.

A capacidade de criar vida de uma criança se transformou na capacidade de criar maquinas para que as maneje os adultos. O ser humano atual tornou-se um fazedor de ferramentas  e agora o seu mundo é uma gigantesca  caixa de ferramentas para satisfazer suas falsas necessidades mais egoístas e o que é desejo de poucos se tornam necessidade de todos.

  Dura, sem expressão, imaginação, mistério, assombro a humanidade perde a imagem do seu Criador, e se transformou  na imagem dos objetos feitos por suas mãos, que necessitam ser usados, explorados, o que não serve mais é jogado no lixo, também existem seres humanos abandonados em vários rincões. O nosso distanciamento do Criador e da sua criação resultou: ver a natureza como um recurso, seres humanos como objetos, que ambos necessitam ser explorados.

O que está acontecendo com o verde e todas as cores da natureza  e sua grandeza em plantas e animais que não aceitam estruturas rígidas, inquebrantáveis, mas que necessitam da liberdade para continuar  gerando a vida? Foi atropelada pelo cinza dos blocos empilhados que entre eles formam caminhos negros impermeáveis. Porque a criação do grande Criador  foi invadida  pelo o mundo dos seres humanos , que quando buscam o silencio já não se escuta os cantos dos pássaros, nem se percebe o sussurrar do vento, nem o movimento das árvores, simplesmente e constantemente se escuta  a buzinas dos automóveis e o ruído dos seus motores.   

Mas é nesse cenário  que eu encontro pessoas como Claudio Oliver, Hugo Theofilo, Eduardo Fenimam e Rene Eugenio Seifert,  que me inspiram a buscar a imaginação e a criatividade nata  das crianças. Eles  deixaram de pensar em viver para si mesmo,  se atreveram a imaginar um outro mundo possível, aquele que começa na própria casa, onde se pode tocar com os próprios pés e mãos e está ao alcance dos próprios olhos  e criaram um espaço onde seus filhos pudessem viver e aprender com liberdade, onde aprendem a  tarefa de observar  e  a preservar a vida humana e de toda a criação, estes futuros adultos  seguramente serão  inspiração a outros. 

Nesta aventura permitem que seus filhos cresçam em busca de uma vida plena, mesmo que seja  em um pequeno jardim de uma casa, onde  permitem  que flores exalem livremente o seu perfume,  em que sementes brotem e depois se tornem alimento para suas mesas, que as árvores possam dar livremente o seu fruto, que fazem habitação para os pássaros, que atraem as borboletas e as abelhas, onde as cores transformam o cinza duro e impenetrável morto em vida, o campo seco em bosques, entre montanhas, que crianças possam correr entre as cabras, que já não existam, mas limites para a vida e que esta avance de tal maneira que já não possa ser controlada e encaixotada em nenhuma estrutura física e humana. 

Esta esperança e a aspiração que tenho, porque sei que um dia chegará  onde seres humanos “farão de suas espadas arados,e de suas lanças, foices. Uma nação não mais pegará em armas para atacar outra nação, elas jamais tornarão a preparar-se para a guerra” (Is. 2. 4). “O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará ao pé do cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequenino os conduzirá. A vaca e a ursa pastarão, as suas crias se deitarão juntas e o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca do áspide, e a criança desmamada meterá a mão na cova do basilisco.” (Is. 11. 6 – 8).
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- Vinicius Barajas
Amante da vida:  esposa, família,  amigos,  natureza , arte e comida.

21.11.14

Qual é a do sorriso? - Réplica de Nuno Junior

- Não devíamos ter algum tipo de fiscalização quanto a isso? Ninguém conseguiu ver que estavam nos desmascarando antes de acontecer? Cade o Luís? Eu quero o Luís aqui imediatamente!

- Bom, onde estávamos? É Evandro né? - ao dizer isso apontou para o Evandro com um calhamaço de papéis rascunho, todos projetos re design muito bons para serem recusados por qualquer cliente, mas devido a sua condição de rascunho, assim foram. Bom Evandro, você vem aqui apresentando esta tese absurda de que nós publicitários usamos indiscriminadamente o sorriso para fins mercadológicos. Mas antes de te dar uma resposta - CADE O LUIS? - eu quero saber para quem você trabalha.

- Não trabalho para ninguém - retrucou Evandro, com a voz séria, escondendo sua opinião quanto ao absurdo que estava ocorrendo naquela sala.

- Bem, se não trabalha para ninguém deve querer um emprego aqui. Tá bem, ROBERTA, TEMOS VAGA NA MÍDIA? Pelo menos você faz contas, sabe fazer contas? Excell? Gosta de ganhar presentes? Todo mundo gosta, vai ficar perfeito em mídia.

- Não senhor, não quero um emprego, eu quero um contra argumento, um motivo para haver sorriso enquanto as pessoas passam manteiga no pão!

- Não temos vaga em midia - e está era a Roberta, falando com desdém mas deixando um charme escapar pelo olhar em direção ao Evandro. Não que fosse intencional, faz parte da rotina numa agência de publicidade Paulista dos anos 80.

- Realmente senhor Evandro, não temos vagas para o time de midia. Se puder deixar seu telefone entramos em contato assim que surgir uma vaga.

- Senhor, não saio daqui sem uma resposta - disse Evandro que raramente perde a calma, mas naquele momento ela estava junto do Luís, seja lá quem ele era ou onde estava.

Ok Evandro, você quer a verdade? Você não aguenta a verdade. ROBERTA, FECHA A PORTA DESTA SALA QUE O RAPAZ AQUI VAI OUVIR UMAS POUCAS E BOAS.

Pouco antes da Roberta fechar a porta da sala entra um garoto apressado e ofegante, se desculpando copiosamente e carregando algo que Evandro viu poucas vezes na vida, e jamais provou. O garoto carregava uma garrafa de Deus, uma cerveja tão boa que era comparada diretamente aos melhores champagnes do mundo.

LUIS, DA PRÓXIMA VEZ QUE VOCÊ DEMORAR ASSIM VOLTA PARA O REFILE. ENTENDEU?

O garoto estava transtornado e tremia ao servir uma taça ao Evandro, que estava incrédulo com toda essa situação, mas como não tinha escolha, decidiu beber um gole apenas.

- Evandro - disse o publicitário atrás da mesa, com muita classe desta vez - você está bebendo uma das melhores cervejas do mundo, uma cerveja que tem uma produção limitada a 15 mil garrafas por ano, que passa por um longo processo de dupla fermentação, uma na Bélgica, e outra na França. Durante um ano, esta cerveja passa pelo remuage, processo que consiste em girar diariamente a garrafa para que os sedimentos das leveduras se depositem no gargalo. Ao final, as impurezas são expulsas da garrafa, que é novamente fechada, com rolha definitiva, de cortiça, igual às dos melhores vinhos. Em seguida, retorna à Bélgica, de onde ela veio para o Brasil, chega através das mãos descuidadas do Luís para esta taça, escorre pela sua boca e muda a sua vida.

Evandro, um pouco inebriado pela grata surpresa (e por ter enchido a taça duas vezes enquanto o publicitário falava), apenas concordou com toda a argumentação apresentada pelo velho publicitário. E dá mais um largo gole.

- Evandro - disse mais uma vez o publicitário - consegue resumir tudo o que eu falei sobre em apenas uma palavra?

Evandro tentou encontrar palavras mas não conseguiu, era um líquido tão divino e com um processo de fabricação tão maravilhoso que nenhuma palavra cabia para descrever. Evandro sorriu.

O publicitário sorriu também, mas com um sorriso de predador quando vê sua presa pronta para o abate, e retrucou - Fazer manteiga não é um processo tão refinado, demorado ou poético assim. Mas o sorriso resume tudo.

- LUIS, SERVE UM PÃO COM MARGARINA PARA ESTE RAPAZ ANTES DELE IR. E VÊ SE FAZ ISSO SORRINDO.
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- Nuno Junior
Tentou de tudo. Tentou escrever, tentou fotografar, tentou tocar, tentou desenhar e tentou pintar mas  nunca conseguiu. Até hoje ele não sabe se os seus padrões são muito altos ou seu talento é muito baixo,  mas o Nuno não desistiu.

19.11.14

pertences de viagem

não sei lidar muito bem com distâncias espaciais, é difícil deixar para trás os lugares, me chateio com a idéia de estar entre o aqui e o lá, fico aterrorizada sem razão e sem medida. agora, aqui neste quarto, sei que a minha vida está lá sem mim, e que além dos pertences que trouxe na mala, trouxe junto a consciência de todas as coisas e o desalento de não saber o fim de cada uma delas. seria bom saber beneficiar-me da imprevisão e da novidade de cada dia por onde se arrasta a possibilidade de qualquer existência, mas ao contrário disto fico ruminando pensamentos insolúveis. que espécie de alma tenho comigo? ​que mal-estar é este​que sinto agora​? nauseante. sufocado. não tenho lugar dentro de mim e nas pausas de minha vidazinha fico anotando bobagens como estas nos extratos de banco que encontro na bolsa... por que vivo nesta prisão já que sei que é uma prisão? talvez porque igualmente saiba que não há saída, todo lugar é prisão, e quanto mais revolvo a terra, mais afundo exausta no nada. tenho saudade de minha casa​, qual? admiro a paisagem das serras daqui, há beleza em tudo quanto há de verde nelas, é então momento de limpar os olhos com estas imagens, concedendo à minha alma alguma serenidade, para logo depois, devolver-me às inúteis questões que me fazem sentir o nó na garganta. eis o caso do inevitável, posso aprender a deixar os lugares, posso aprender a conviver com a ausência de mim mesma nestes lugares, mas não posso deixar-me para trás como quem separou um livro e o esqueceu em cima da cama, ou como quem se convenceu de que​ ​três​ ​pares de sapato era muita coisa e decidiu levar apenas​​ ​um. me levo sempre comigo, não importa quanto espaço tenha na mala, me levo sempre comigo.
​de guimarães, dias de minas​, dezembro/2008.
__________
- kelly guimarães
filósofa das letras pequenas. textos profundos e maiúsculos, tudo em letras minúsculas.

17.11.14

qual é a do sorriso?

quem passa manteiga no pão, com um belo sorriso no rosto? cercado de pessoas também sorridentes?
é cedo, café da manhã, ninguém sorri acordando cedo.

e shampoo?! quem toma banho sorrindo ao ensaboar os cabelos? 

e faxinar a casa? o produto é bom, ótimo, limpe logo o que está sujo e pronto. mas porque sorrir ao esfregar o chão?

afinal, qual é a do sorriso na publicidade?

por que precisamos desse estímulo para consumir qualquer tipo de produto?

dia desses estava na fila do banco, era uma atividade que ainda precisava se feito no caixa, e reparei no banner de publicidade dos serviços de caixa eletrônico do banco. um casal, a moça aguardava sorrindo, o rapaz que sacava dinheiro, sorrindo.

já fui nos caixas eletrônicos com minha esposa esperando. não sorrimos ao sacar dinheiro. aliás, agi automaticamente, afinal, era apenas uma atividade corriqueira.

assim como tomo banhos todos os dias e o máximo que faço é usar o pote de shampoo como um microfone fictício ao cantar belas canções de chuveiro.

café da manhã?! não obrigado, prefiro dormir dez minutos a mais… restando tempo apenas para uma xícara de café rápida. e mesmo que tivesse pão com manteiga, seria sem sorrisos. 

mas por que precisamos ver gente feliz, em qualquer situação, para optarmos por este ou aquele produto?

talvez seja o sorriso o alvo do nosso desejo. a felicidade a nossa busca.
talvez sejam essas as nossas demandas. o dia nos automatizou, nos tomou a sensibilidade de se encantar com o pouco. o detalhe.
talvez eu compre tal shampoo porque gostaria de sorrir como a atriz dos cabelos lisos e sedosos.

talvez escolhemos a manteiga qualy, porque qualidade de vida comece com qualy. e invejamos a ilusão da família reunida e feliz.

será essa a do sorriso?
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- Ev Melo
Idealizador e curador deste espaço. É uma pessoa rara, como outra qualquer.

14.11.14

Reflexão sobre estabilidade


Não são somente as "habilidades" que mantém a estabilidade, é necessário entendimento sobre os processos emocionais e conhecimento de manutenção de relacionamentos.

O exterior, ás vezes, influencia nossas vidas para o bem ou para o mal, porém, na maioria das vezes, a decisão acontece com base no temos no interior.

Estabilidade só é real se decidimos entender o passado.

Estabilidade física e mental pode acontecer se exercitarmos a paciência e o perdão.

Estabilidade emocional NÃO se conquista com dinheiro.

Estabilidade tem como base o intra-conhecimento e o inter-relacionamento.

A estabilidade é o processo de administrar dores e prazeres.

A felicidade são reações físicas e emocionais quando sentimos processos internos de pacificação.

Nenhuma angústia pode ser desprezada. Elas (as angústias) são dores e, dores devem ser entendidas.

Nenhuma angústia nasce do nada. Ou é uma pulsão interna ou processos externos que foram "engolidos" no passado. Ambos têm entendimento.

O processo é assim: primeiro me assusto, depois eu fico com medo e na verdade o que atormenta é a angústia.
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- Paulo Bregantim
Psicanalista Clínico. Escreve sobre a alma e coisas simples. Simples assim.
Atende na clínica Reciclar Unidade II.

12.11.14

A Poesia e a lucidez

A Poesia é muito arredia. Não é fácil encontrá-la. Mas ele a encontrou uma vez. Um descuido e ela escapou. Inconformado, durou anos a busca-la novamente. Ele era um viajante e por todas as plagas por onde passava, sempre a procurava. Às vezes achava que aquilo era loucura. Talvez teria que ficar em estado de insanidade para poder enxerga-la. Seria isso? A lucidez a teria escondido?

Numa dessas viagens ele caminhava por uma rua da grande cidade quando se viu apertado para usar o banheiro. Na incapacidade de encontrar um banheiro público, parou diante de um grande edifício residencial. Havia um sonolento senhor sentado em um banquinho na entrada do que parecia ser uma enorme garagem com seus portões totalmente abertos. Perguntou-lhe sobre um banheiro e ele lhe apontou rapidamente o fundo para logo voltar à sua modorra. Curiosamente, havia um supermercado na parte térrea de edifício. Foi até o banheiro, aliviou-se e saiu, retornando à entrada da garagem. Foi quando a avistou, estática, virada em direção ao supermercado, em meio às pessoas que o abandonavam, a Poesia!

Ela olhava para ele, com seus cabelos acariciados pelo vento da tarde, um vestidinho solto, olhos penetrantes e aquele sorriso mal disfarçado que agora ele percebia, só ela tinha. Acometido de uma súbita vertigem, controlou-se e se aproximou dela com passos lentos. Ela não dizia nada, apenas o mirava. Na falta do que fazer, parou diante dela e, na total incapacidade de fazer outra coisa, pegou-a pela cintura. Ela parecia tão pequena, tão frágil... O beijo foi uma consequência. Primeiro os lábios se encontraram, depois mais seguro, ele a trouxe mais para si, sentiu a maciez do seu corpo, sua mão passeou por suas costas e eles ficaram ali naquele interminável beijo que durou algumas existências, enquanto ele com os olhos semicerrados, sentia a fragrância do seu cabelo perfumado, que agora fustigava levemente seu rosto, talvez pelo vento que soprava mais forte e fazia com que tudo à volta deles rodasse vertiginosamente.

Quando o vento desassoprou, eles um tanto sem fôlego se afastaram. Vamos? Ela o convidou para caminhar pelo passeio, convite que ele jamais rejeitaria. E lá se foram os dois, de mãos dadas, ele sem saber se caminhava ou flutuava. O certo é que não se importava com os encontrões que dava nas pessoas que passavam por eles em sentido contrário, já que havia muita gente por ali. Não falaram nada e ele achou melhor assim porque preferia não estragar aqueles momentos com outra coisa que não fosse observá-la, ainda que ele não ousasse olhar para ela, nem que fosse de soslaio.

Muitas quadras depois, já quase no cair da tarde, ela lhe disse: vamos ao metrô? Era na próxima esquina à esquerda, na metade da quadra. Quando dobraram a esquina, ela se desvencilhou de sua mão e se pôs a correr. Mas não era exatamente uma corrida, era um baile, como se fosse uma borboleta esvoaçante. Aquilo lhe pareceu carregado de muito lirismo e ele se juntou à sua dança, fazendo de conta que a perseguia, enquanto ela fazia de conta que fugia dele. Duraram alguns séculos nessa brincadeira, até que ela de repente alçou voo e alcançou a plataforma da estação que era visível da calçada mas que deveria ser acessada pelos bloqueios e escadaria. O trem já estava parado. Desesperado para não perdê-la de vista, ele pensou que deveria tentar fazer o mesmo, e foi apenas o pensamento cruzar seu cérebro que o mesmo lhe aconteceu: quando deu por si, estava na plataforma. Tempo suficiente para ele perceber que a plataforma estava vazia e o trem apitava avisando que estava para sair. O tempo lhe alcançou apenas para correr e se esgueirar por uma das portas automáticas que se estava fechando.

Ele precisou de alguns segundos para se acostumar à inesperada escuridão do trem. Foi então que percebeu estar o vagão totalmente vazio. Correu desesperadamente para o outro, na semi-escuridão, para constatar, desolado, que tampouco havia um único passageiro. Alarmado, correu para uma das janelas, abriu-a, colocou a cabeça para fora e olhou de volta para a plataforma, a tempo de ver ainda a Poesia a lhe acenar, de longe, com os cabelos e o vestidinho levemente chacoalhados pelo vento do entardecer.
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- Obadias de Deus
Músico que ganha a vida com sistemas, casado, dois filhos, sonhador e especialista em projetos  inconclusos. Vive no limiar da vida cotidiana e de seus devaneios que, ele nunca perde as esperanças,  algum dia darão certo, mas muito provavelmente não.

10.11.14

​diário de despedida

quando o pai morreu um deus morreu em mim. o universo dos meus sentidos foram inundados por uma dor solitária e vazia de vontade. não havia o deus porque não havia o pai.o luto, que não chega a termo, esvanece a imagem do pai, assim o deus também tarda a vir, já não é real, já não há. [...] onde estará meu pai agora? – já não existe, já existiu, não mais agora. o deus já existiu, não mais agora.o pai, ou aquilo que ele foi, guardou-se numa caixa de madeira, uma caixa feia colocada sob a terra. não posso ouvi-lo, não posso falar com ele, a sua face gravada na minha memória vai se turvando. noites há, noites muitas, que sonho com o pai, vivo! temendo perder a lembrança do seu rosto, me esforço em lembrar da voz, dos seus trejeitos, seu cheiro, sua risada, seus gritos, me esforço e temo perder essa memória, como se essa outra perda representasse um esquecimento de mim mesma, não encontrar o pai é perder-me, já não saber quem ou porquê sou. miro o espelho e persigo em meu rosto o reflexo do pai. quero re-conhecer-mer. quero saber quem sou, para que sou e de que matéria sou feita.o pai está longe, ​a​bsolutamente irreal, sem substância, sem existência.a orfandade é uma tristeza! não há esperança. tornei-me rígida, desconfiada. a orfandade é uma prato de migalhas secas, um grande quarto frio com paredes altas e sem chão. janelas que se batem ao vento lembrando as horas que somem. sonolenta deambulo por este quarto para que não se perca da minha memória a imagem do deus e temo perdê-la infinitamente. o pai nunca mais voltará. 

dezembro, 2010.
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- kelly guimarães
filósofa das letras pequenas. textos profundos e maiúsculos, tudo em letras minúsculas.

7.11.14

cecília que me entenda


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- Ev Melo
Idealizador e curador deste espaço. É uma pessoa rara, como outra qualquer.

A bela do avião

Viagens a trabalho são uma fonte quase inesgotável de situações curiosas. Aqui vai uma delas quando eu voltava da Colômbia. Mais especificamente, quando esperava o voo numa das salas de espera, juntamente com os demais passageiros. Eu, de minha parte, deveria estar lendo algum livro. Foi quando, por um momento, o tempo parou. Chegou chegando, do jeito que só elas sabem fazer, uma morena de fechar o aeroporto (porque o comércio ela já deveria ter fechado quando da sua passagem por lá). Era uma coroa e se vestia sem exageros. Ocorre que ela era um exagero de beleza. E ainda tinha olhos verdes. Nem precisa dizer que os radares masculinos da sala começaram e fervilhar – alguns travaram. E eu, naturalmente, como também sou filho de Deus e não sou de ferro, quando dei por mim, já estava com a leitura do livro interrompida e com um “uau!” preso na garganta. A mulher era um espetáculo.  Curioso como certas mulheres ficam mais belas à medida que amadurecem! 
Deveria ser o caso dela, uma desconhecida quase Luíza Brunet . Bem, depois que a comunidade masculina se acalmou e os ponteiros dos relógios se recuperaram, o tempo voltou a se mover.

E como o tempo se move, algum tempo depois eu estava sentado na poltrona do lado da janela, a poltrona do meu lado vazia. Por pouco tempo. Adivinha quem se senta ao meu lado? Pois é, a vida é irônica mesmo. Em carne e osso, em três dimensões (e que dimensões), toda perfumada, a deusa. Entrei em pânico, uma vez que sou caliginefóbico. E agora? Fiquei acuado, músculos retesados, esperando para ver no que aquilo ia dar. Ela me perguntou qualquer coisa e eu lhe respondi qualquer coisa também. Naquela altura do torneio, eu faria o que ela quisesse, me fingiria de morto, o que fosse. E não é que a coroa era simpática? Tentou arriscar um português e saiu um portunhol macarrônico. Até então eu nunca tinha percebido como uma colombiana ficava bonita tentando falar português. Escorrega daqui, escorrega dali, a revelação: ela era carioca. Carioca??? Quase não resisti e por pouco não lhe passei uma suprema e assanhada descompostura para os meus padrões: “bonita assim, tinha que ser carioca!”.

Ela então me explicou que – não me lembro bem como – conheceu seu marido advogado colombiano no Rio de Janeiro, depois se mudaram para Manaus e, por fim, ele voltou para a Colômbia onde se radicaram. Já estava na Colômbia havia uns 15 anos e, pela primeira vez, estava retornando ao Rio de Janeiro para rever sua família, daí sua dificuldade com o português que ela iria aproveitar e treinar comigo. Lá pelas tantas, não me recordo como, descobriu meu berço evangélico. Foi quando ela se entusiasmou de vez. Explicou-me que seu marido era pastor e ela pastora. Durante os dias que antecederam a viagem ela orara a Deus pedindo muito que, no voo, tivesse a companhia de outro evangélico, algo que ela, inclusive, havia dito à sua congregação. Via em mim, portanto, a resposta das suas orações (eu estava podendo, hein?). O fato é que essa foi, provavelmente, a única viagem de retorno que não preguei os olhos. A simpática e lindíssima carioca falava pelos cotovelos. Conversamos e rimos bastante. Foi uma viagem memorável.

Como o projeto colombiano era longo, algumas semanas tive de voltar novamente a Bogotá. Embarquei numa segunda-feira de manhã em um voo da Avianca. Já dentro do avião, esperando o resto dos passageiros se acomodarem, dou uma olhada à minha volta (eu estava na fila esquerda, do lado do corredor) e, quem eu avisto umas três poltronas atrás, na fila do meio? Increíble, ela mesmo, a quase Luíza Brunet. Não acreditei. E não é que os contatos da senhora com o pessoal lá de cima, lá do alto, eram fortíssimos? Ela também mal podia acreditar. Qual seria a chance de isso acontecer? 

Esperamos todo mundo se acomodar e, como a poltrona do meu lado ficou vazia (que coisa, não?, estou ficando arrepiado – e com um pouquinho de medo, confesso), ela mudou de lugar. Voltamos para Bogotá numa animada conversa, em que ela, dentre outras coisas, falou de sua estada no Brasil.
Já no aeroporto de Bogotá, ficamos juntos todo o trajeto de passagem pela aduana e, na saída, a aguardavam o marido, vários irmãos de sua igreja, o cachorro, o papagaio, uma banda de música. 

Definitivamente, a simpática carioca era muito benquista. “Esse é o irmão do voo do qual lhe falei!” O marido ficou meio sem entender, afinal ela tinha se encontrado comigo na ida e não na volta. Ela então explicou a coincidência da volta. O marido também era uma pessoa extremamente simpática. 

Deu-me um cartão com os dados de ambos, endereço e tudo o mais, e me convidou para fazer uma visita à sua comunidade, em Villavicencio. Despedi-me de todo aquele pessoal tão simpático e fui para o hotel. Eu até pensei em visitá-los, mas como Villavicencio fica tão perto de Bogotá que não dá para ir de avião, o pessoal da petroleira onde eu estava trabalhando jamais me permitiria o passeio, pois a chance de eu ser parado na estrada por uma “batida” da guerrilha, o que era muito comum naquela época, era grande. E se eles soubessem que eu era estrangeiro, era quase certo que eu seria raptado. E eu tampouco me arriscaria.

Nunca mais falei com eles. Nunca mais a vi.
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- Obadias de Deus
Músico que ganha a vida com sistemas, casado, dois filhos, sonhador e especialista em projetos  inconclusos. Vive no limiar da vida cotidiana e de seus devaneios que, ele nunca perde as esperanças,  algum dia darão certo, mas muito provavelmente não.

5.11.14

pode melhorar

- pode melhorar, calma aí... 

os anos eram os 80. tempos de antenas mal posicionadas e bom-bril cumprindo a promessa de mil e uma utilidades.
controle remoto se chamava filho caçula. no caso eu. mas isso não será explorado neste texto.

poucos eram os canais, cerca de 5 ou 6, e assim mesmo não eram todos que pegavam.
talvez por isso, pelas opções serem poucas, emprega tempo e esmero no ajuste.

primeiro girava o sintonizador de canal, tec-tec-tec, até encontrar o canal, que por motivo acima mencionado da não existência do controle remoto, seria assistido por um longo tempo.

voltava de ré e sentava no sofá, que afundava e devolvia o corpo pra cima, fazendo ranger a imitação de couro, marrom.
pouco durava esse momento de conforto. a imagem logo distorcia e lá ia ele. puxa a antena, se afasta um pouco, retorna e deita uma perna da antena pra lá, outra pra cá, se afastava um pouco, dessa vez esperava uns segundos e pronto, satisfeito retornava ao sofá.

eu disse pronto? não nada disso, a imagem teimava em se entediar e querer brincar de carrossel. pegava impulso e girava na tela.

ele bufava e retornava ao árduo ofício de ajustar a imagem.

- mas dá pra assistir assim, deixa como está. - dizíamos todos.
- não, pode melhorar.

e partia em direção ao ajuste fino, aquela roda que circulava o sintonizador de canais, lembra? 
girava pra esquerda, depois pra direita, se afastava e voltava, naquela dança sincronizada de todos os dias à noite.

enfim, a perfeição. devolve seu corpo ao descanso do sofá e se gaba de ter conseguido, mais uma vez. e assim, todos podiam assistir aos cinco últimos minutos finais do programa.
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- Ev Melo
Idealizador e curador deste espaço. É uma pessoa rara, como outra qualquer.

3.11.14

A Depravação do Socialismo também é a do Homem

Aproveitando os debates acalorados sobre política, gostaria de contribuir como uma visão bíblica, e porque não, antropológica sobre política.

O Socialismo diz;
"O Bandido é vítima do sistema."
A Idéia é; que o bandido nasce pobre, sem acesso ao estudo, sem perspectivas e assim, como último recurso apela para o crime.
Por isso sempre vemos o famigerado Direitos Humanos defendendo bandidos, mas não suas vítimas.

Pare e pense;
Existe algum problema com um sistema político que propõe soluções universais sem considerar um comprometimento mínimo do indivíduo na construção de um país melhor.

Em nenhum discurso político vemos propostas que não sejam milagrosas, que dependam sistematicamente de planejamentos e investimentos bilionários sem contar com o caráter e compromisso da sociedade em ser mais honesto nas pequenas coisas.

Constantemente vejo pessoas dizendo que político não dá em árvores, mas saem da sociedade. E isso é uma grande verdade.

Gostaria de apresentar uma dimensão que "resolve", ou melhor, nos deixa cônscios dos nossos verdadeiros problemas.

O problema do homem é sempre o mesmo desde sua criação e desobediência. O PECADO.

Portanto o homem mau não é vítima de nenhum sistema.
Isso é uma falácia.
O homem mau é mau, porque está caído e morto em seus pecados e delitos.
Nenhum homem é bom.
Aí, você pode querer relutar e contra-argumentar; "Mas eu não sou mau. Eu não bebo, não fumo, não bato na minha mulher e sou trabalhador honesto".
Digo que essas coisas são qualidades reais. Qualidades que graças a Graça comum de Deus foi dada a todos os homens para que tivessem alguma qualidade de vida. Porque, imaginem; Se vivêssemos num mundo onde não existisse nenhuma qualidade humana dessas? Seria impossível.

Mas a questão mais profunda é que só um regenerado por Jesus Cristo pode enxergar em si os "lixos" contidos em seu ser e ter condições de lutar contra sua própria natureza pecaminosa. Deus revela aos homens regenerados suas mazelas e o capacita a mudar seu caminho.
O homem natural não busca a Deus e não ama a nada verdadeiramente a não ser seu próprio mal.

Resumindo;

Nenhum sistema político; e cito o Socialismo porque é o que pretende ser mais "piedoso", pode transformar um só homem em seu interior.
Por isso não existem vítimas do sistema, mas existem homens maus, 100% maus, sem nada a se gloriarem por si mesmos.

Veja só onde baseio minha tese:

Romanos 3:9-22

9 Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado;
10 Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.
11 Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus.
12 Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.
13 A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;
14 Cuja boca está cheia de maldição e amargura.
15 Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.
16 Em seus caminhos há destruição e miséria;
17 E não conheceram o caminho da paz.
18 Não há temor de Deus diante de seus olhos.
19 Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.
20 Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.
21 Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas;
22 Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença
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Diego Venancio
Músico, missionário,um pecador e regenerado em Jesus Cristo.