2.10.14

O trabalho mais ingrato de todos os tempos


O pior trabalho do mundo é o trabalho que foi designado ao tempo. Em toda história de que nos valemos não há nada de mais ingrato, difícil e lento do que o trabalho designado ao tempo. Nem mesmo o próprio universo, imponente e infinito, tem um trabalho mais árduo (até porque este não possui trabalho algum, apenas o dom de existir e ser grande).

Ao tempo foi dado a incumbência de fazer, dia após dia: manhãs, alvoradas, entardeceres, auroras e anoiteceres. Todos os dias, de igual forma. O tempo também faz, com menos rapidez, mudanças gigantescas naquilo que chamamos geografia, arrastando continentes e conteúdos ao longo de longas décadas, milênios de modo que nós não nos esforçamos em contar.

Quanto a nós, humanos, reles humanos, também estamos nas incumbências do tempo. O tempo se encarrega de nos ensinar, de nos orientar, repreender. O tempo faz cair nossos músculos e tirar o vigor de nossa carne. Faz minúsculas fissuras em nossos rostos assim como as faz fissuras, minúsculas, na face da terra. O tempo nos mata e nos faz nascer. Na nossa forma míope de enxergar, o tempo corrre nos fins de semana e nos prazos curtos, se arrasta nas primeiras experiências e nas segundas-feiras. O tempo nunca nos engana, apenas nos da tempo o suficiente pra nos sentirmos traídos, pois nunca entendemos o seu trabalho.

Terrivelmente lento o tempo tem o papel de matar o Sol, resfriar lua, formar a história e andar, a passos lentos, sempre ao seu tempo. Nunca houve um tempo em que o tempo não existiu, o tempo sempre foi e sempre será. Esteve no inicio de todas as coisas, acompanhou todas as coisas e, com suas próprias mãos, destruirá todas as coisas. Fará isto da forma mais enfadonha, lentamente, até o fim dos tempos.

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- Nuno Junior
Tentou de tudo. Tentou escrever, tentou fotografar, tentou tocar, tentou desenhar e tentou pintar mas  nunca conseguiu. Até hoje ele não sabe se os seus padrões são muito altos ou seu talento é muito baixo,  mas o Nuno não desistiu.

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